Lula e a garçonete francesa

"Quando Lula voltar a governar o país, irei ao mesmo restaurante olhar para a pequena colérica e gritar a mais estrondosa vaia cearense: Ieeeeeeeeiiiiiiii"

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Lula (Foto: Ricardo Stuckert)


Há pouco mais de dois meses estive em Paris, viagem que havia sido adiada desde o final de 2019 devido à pandemia. Em 2019 iria participar de um encontro de escritoras de língua portuguesa, em Lisboa, e depois daria uma esticada à Cidade das Luzes.  Mesmo com o euro, no início do ano, a quase seis reais, não havia mais como adiá-la. Além disso seriam os quinze anos da minha filha, que não adepta às festas de debutantes (nem eu), preferiu bater perna com a mãe. Juntei os meus trocados de professora e fomos, com a cara, com o medo da COVID19 e poucos euros, circular no meio do mundo após dois anos trabalhando e estudando dentro de casa. 

Num dia, após perambularmos entre metrôs, museus e feiras na capital francesa, paramos para comer num restaurante popular.  A garçonete, uma francesa baixinha e magra, nos atendeu com toda gentileza. Era um tipo falante e simpática, contrariando todos os estereótipos direcionados aos parisienses.  Entre idas e vindas com os nossos pedidos, perguntou-nos de onde éramos. Com a nossa resposta, puxou uma breve conversa sobre os rumos do país tropical, ao que respondíamos com tristeza sobre os percalços por que passa o Brasil, desde o golpe de estado de 2016, em que a nossa nação se encontra refém de um governo saído do submundo das trevas.

Acreditando que a pequenina simpática havia compreendido o nosso ponto de vista e continuaria com a sua usual gentileza, didaticamente, fui tentar explicar tudo o que aconteceu ao ex e futuro presidente Lula, contudo para o nosso espanto, a pequenina arregalou os olhos , mostrou os dentes como um pinsher no colo do seu dono, e com um francês para lá de coloquial e voz estridente saiu com uma pergunta típica do brasileiro antipetista: E o Lula?  

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Meu sangue latino-americano entrou em ebulição, mas fingindo calma (anos de teatro me serviram bem) e com um francês para lá de enferrujado, disse-lhe que o presidente Lula foi alvo de um conluio entre imprensa e justiça para tirá-lo da disputa eleitoral, ao que ela rebatia mais colérica ainda : “Mas saiu em todos os jornais, na imprensa do mundo todo!” Nessa hora vivenciei, in loco, o mal que a imprensa hegemônica e podre do Brasil, Globo e afins, faz ao seu povo e os tentáculos pegajosos que possuem no mundo inteiro.

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Devido ao estado inquieto da minha interlocutora e que me contaminava, o meu francês já se encontrava em estado emocional e incompreensível; assim pedi à minha filha e meu ex-aluno, que estava conosco, rebater a mulher em inglês; o que eles fizeram, sem sucesso, devido ao tom azougado da garçonete. Resolvemos parar de dialogar com a pequena embrutecida quando ela se saiu com essa pérola: Le socialisme est trés dificille!  O que mais falaríamos com a pequena criatura, que não olhava nem para o próprio umbigo? Paris, hoje, está com famílias de imigrantes a cada esquina, além de empregos terceirizados em todos os lugares. O que dizer do capitalismo?

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Desde ontem me lembrei da pinsher humanizada quando o Comitê de Direitos Humanos da ONU ( Organização das Nações Unidas) declarou que Lula teve seus direitos violados em 2018 e que sua proibição de concorrer às eleições naquele ano foi arbitrária. Além disso, o Comitê declarou que o ex-juiz, Moro-Imoral, e sua quadrilha de procuradores da Lava Jato foram parciais na condução do seu julgamento.

Como sou da esquerda vingativa, paradoxalmente com práticas namastês, já bolei o plano da desforra inocente: Quando o presidente Lula voltar a governar o país e pudermos ganhar o mundo novamente, irei ao mesmo restaurante, olhar para a pequena colérica e gritar a mais estrondosa vaia cearense: Ieeeeeeeeeeeeeeeiiiiiiiiiiiiiii , representação sonora do mais puro deboche e alegria:!      

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