MEC lança concurso a estudantes que sonhem ser “integralistas”

Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia, noticia o lançamento de um concurso nacional por Abraham Weintraub, que receberá desenhos da “Bandeira Nacional”, com a promessa de que o vencedor tenha a sua “obra de arte” impressa na contracapa dos livros didáticos que serão entregues aos estudantes em 2021. “Quem sabe assim, quando adultos, eles se tornem 'integralistas'”, ironiza a colunista

O ministro da Educação, Abraham Weintraub
O ministro da Educação, Abraham Weintraub (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
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Por Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia - É de pequenino que se torce o pepino. Certo? É o que nos diz a sabedoria popular. Pois o MEC - o ministério do pior e mais mal avaliado ministro do (des)governo Bolsonaro, o senhor Abraham Weintraub -, resolveu colocar a máxima em prática. Através de um concurso de âmbito nacional, partiu para cooptar para o slogan de fundo nazista, do presidente que o emprega: “o Brasil acima de todos e Deus acima de tudo”, estudantes da rede pública. De que forma? Envolvendo-os em um “inocente” concurso de desenhos da “Bandeira Nacional”, com a promessa de que o vencedor tenha a sua “obra de arte” impressa na contracapa dos livros didáticos que serão entregues aos estudantes de todo o Brasil – é o que estão prometendo -, em 2021. Quem sabe assim, quando adultos, eles se tornem “integralistas” ...

A proposta consta do Diário Oficial da União, do dia 6 de janeiro deste 2020 que se inicia, sob o título: “1º Concurso Sua Arte no Livro Didático”. Quem lê, tem a nítida sensação de que está vivendo os “áureos tempos” da ditadura.

E qual o batedor de panelas ou o integrante dos exércitos verde e amarelo que fizeram dancinha nas ruas do Brasil varonil, não vai querer ver o filho participando deste concurso, não é mesmo? 

O prêmio é modesto. Nada de “uma viagem à Disney”, sonho de consumo desta turma. Não. Pelo conteúdo do edital, alertando para o início das inscrições no dia 21 de fevereiro, “os cinco primeiros colocados no concurso — um de cada região do país — vão ganhar um computador, uma viagem à cidade de São Paulo para a premiação do concurso e ainda a inserção da arte no Livro Didático de 2021”. 

Uma honra, não? E, com certeza, de quebra, os premiados ainda poderão fazer uma selfie com o ministro (se ainda estiver no cargo, e de bom humor – raridade-, para atender à garotada). O edital explica que o “concurso” faz parte do “Programa Nacional do Livro e Material Didático (PNLD), responsável pela distribuição de obras didáticas, literárias e pedagógicas para alunos e professores das escolas públicas de educação básica”. 

Já podem imaginar o teor das obras literárias que irão parar nas mãos dos adolescentes brasileiros, a quem as obras se destinam. Nada de preto, pobre, gays e gênero. Serão livros, conforme o presidente já esbravejou, para fazer “vibrar” os pais de família. (Já que para ele, as mães, com certeza, deveriam estar muito ocupadas com as tarefas do lar e não opinando sobre essas coisas).

Os resultados serão divulgados em 3 de agosto, com cerimônia de premiação realizada na Bienal do Internacional do Livro, em São Paulo.

Para participar da seleção os diretores das escolas públicas ficarão responsáveis por “indicar” os alunos do ensino médio, (claro, de preferência os CDFs) pelo site do FNDE, de 21 de fevereiro até 15 de abril.

A Comissão de Avaliação será composta por “um aluno da rede pública maior de 12 anos que não esteja participando do concurso, um ilustrador profissional e três representantes do FNDE”. Entre os critérios que serão considerados estão “criatividade, contemporaneidade, harmonia estética, autenticidade e expressividade”. (Faltou dizer: puxa-saquismo explícito).

Envergando as suas camisas “amarelinhas” e munidos de lápis de cor e papel, os interessados já podem ficar atentos ao cronograma do certame: Inscrições: 21 de fevereiro; a 15 de abril; divulgação preliminar dos resultados: 15 de junho e prazo para interposição de recurso: 16 a 25 de junho. (Sobrinhos, por favor: vocês não podem deixar de perder!).

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