O conflito de interesses de Bretas

A presença de Bretas num ato com forte conotação política trouxe inquietação. Crivella é candidato à reeleição e pleiteia o apoio de Bolsonaro. Fez-se neste momento o indesejável conflito de posições entre a sobriedade e a equidistância exigidas pela magistratura e o engajamento político vedado ao magistrado, diz o colunista Ricardo Bruno

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Numa manifestação explícita de proximidade política, o juiz federal Marcelo Bretas esteve ao lado do presidente Jair Bolsonaro em vários momentos da visita presidencial ao Rio de janeiro, neste sábado. Logo no desembarque, Bretas o abraçou ainda na pista, encontro cuja imagem publicou em suas redes sociais. Ao saudá-lo no twitter, o juiz da Lava Jato o fez em nome de todos os cariocas. “A cidade maravilhosa, dá boas vindas ao sr. presidente da República, Jair Bolsonaro, e sua comitiva”. 

Ativo nas redes sociais, Bretas publicou também foto ao lado de integrantes da comitiva presidencial, entre os quais o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.“Registro minha admiração pelo sr. ministro general Heleno”, elogiou o magistrado no Instagram. 

No palco do evento gospel em que Bolsonaro esteve presente, Bretas, animado, chegou a ensaiar alguns passos, no momento em que o presidente bailava abraçado ao prefeito Crivella. A presença de Bretas num ato com forte conotação política trouxe inquietação. Crivella é candidato à reeleição e pleiteia o apoio de Bolsonaro. Ainda que o evento em tese tenha sido religioso, Bolsonaro e Crivella, abraçados, transformaram-no num nítido balé eleitoral. Que foi aplaudido com entusiasmo por Bretas. Fez-se neste momento o indesejável conflito de posições entre a sobriedade e a equidistância exigidas pela magistratura e o engajamento político vedado ao magistrado.

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