O fogo amigo de Tino Marcos e da Economist

O jornalista esportivo da Globo deu uma aula de patriotismo e política no intragável Domingão do Faustão

A crítica vinda do adversário, por mais argumentos e coerência que tenha, dificilmente influencia quem já tem uma posição preconcebida. Mas e quando a crítica vem do próprio parceiro?

O jornalista esportivo da Globo Tino Marcos deu uma aula de patriotismo e política no intragável Domingão do Faustão. Com seu eterno sorriso e sem perder a responsabilidade de que está falando para milhões de pessoas, ele expôs com muita clareza a total incoerência de vários brasileiros embarcarem nessa insana torcida contra seu próprio país na Copa. "A seleção brasileira é uma instituição cultural que faz parte do coração do brasileiro".

Só a forma respeitosa como o jornalista disse "a presidente Dilma Rousseff" já destoou completamente de todo o staff da empresa que sempre a ridicularizou. Mas ele foi muito além. Disse que, mesmo sob tortura, em 1970, Dilma torceu pelo Brasil. A cara de Faustão era só perplexidade. Imagino que de toda Globo também.

É bem provável que o jornalista não tenha a mínima afinidade política e ideológica com a presidente, mas, da mesma forma que criticamos a vergonhosa parcialidade da empresa, temos que realçar, e muito, quando vemos o jornalismo feito com isenção, fato incomum na emissora.

O outro fogo amigo veio da ultraliberal Economist. A revista afirmou que a hegemonia da Globo não tem comparação no mundo. Enquanto a Record, o concorrente mais próximo, tem uma audiência de apenas 13%, o canal de TV mais popular dos Estados Unidos, a CBS, tem 12%, e seus principais concorrentes em torno de 8%. Quer dizer, esse monopólio da informação exercido pela Globo é incompatível com a democracia.

De acordo com a revista, usualmente usada como referência pela nossa mídia para desmoralizar o atual governo, o país é pautado pela emissora. "Seus programas também moldam a cultura nacional". E ao comentar que enquanto a Argentina e o México estão combatendo o excesso de poder da grande imprensa, o "governo brasileiro é dócil em relação aos proprietários de mídia".

Com certeza, a matéria da Economist não terá repercussão em nossos tradicionais veículos e, a essa altura, a batata do Tino Marcos já deve estar assando, mas seria interessante ver a reação de muitos brasileiros que torcem encolerizados pelo total fracasso do país verificando tais informações.

Recentemente, o New York Times disse que "a Fifa está contaminada em vários níveis por corrupção, suborno e excessos que envergonhariam Silvio Berlusconi". Falou o óbvio, que curiosamente não foi jamais mencionado nessa cruzada contra a Copa. A Fifa, sempre às voltas com escândalos, passou incólume pela Globo. Só rindo.

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