O grande engano de Fernando Haddad

Eric Nepomunceno escreve sobre a decisão de Haddad, de deixar sua coluna na Folha de S.Paulo: "E é exatamente com amizade e respeito que escrevo o que penso da sua saída mais que justa e digna da Folha de S. Paulo. Penso que um dos grandes enganos dele foi justamente aceitar o convite para ser colunista semanal do jornal"

Fernando Haddad
Fernando Haddad (Foto: REUTERS/Pilar Olivares)
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Por Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia

Antes de qualquer coisa, quero esclarecer que meus contatos pessoais com Fernando Haddad se deram sempre num clima de afetuosa amizade e imenso respeito mútuo. Minha única queixa em relação a esses contatos é que até agora foram muito mais escassos do que eu gostaria.

E é exatamente com amizade e respeito que escrevo o que penso da sua saída mais que justa e digna da Folha de S. Paulo. Penso que um dos grandes enganos dele foi justamente aceitar o convite para ser colunista semanal do jornal. Houve, creio eu – nunca conversamos sobre o assunto –, uma dose sensível de ingenuidade da parte de Haddad.

Convidá-lo para ser colunista de maneira alguma significava que o jornal deixaria de ser o que sempre foi: claramente manipulador, sem outra rota que a de defender os interesses das elites. 

Foi também cúmplice, entre outras coisas, tanto da calhorda manipulação levada adiante por Sérgio Moro e companhia, como do golpe contra Dilma e, como consequência, da eleição de Jair Messias. 

Esclareço que, se eu tivesse sido convidado, aceitaria de imediato. Iria me juntar aos pouquíssimos colunistas que não trabalham na redação e são extremamente críticos, e críticos lúcidos, da destruição que o Aprendiz de Genocida e seus cúmplices impõem ao país.  Qual então a diferença entre Fernando Haddad e eu? Afinal, eu usaria, como ele usou, o meu espaço para dizer exatamente o que penso.  E aqui está a diferença: não sou figura pública, não atuo com destaque na vida política do país. Num caso de vil traição, o traído seria alguém que há mais de 50 anos vive do que escreve, e não um líder político importante.

Não tenho peso específico sobre companheiros de partido e luta, nem sobre o eleitorado.

Durante uma consistente sequência de sábados ele deu à Folha, com o peso de seu nome, algo escassíssimo na trajetória do jornal: dignidade. Fernando Haddad saiu como entrou: combativo, com a pontaria certeira de sempre. E a Folha continua como era: defendendo o que defendeu, e que Haddad ajudou a mudar, uma mudança inaceitável para os privilegiados de sempre, para os interesses de sempre. Só que agora com ainda menos dignidade.

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