O Homem Feminista, ele existe?

A sociedade dos patriarcas sempre se apoiou em diversas opressões que garantiram seus poderes esse tempo todo. Mas nada que se compare ao total domínio da alma desse verdadeiro instituto de opressão: a feminilidade definida pelo patriarcado

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Bom, a pergunta poderia ser suspeita já na autoria desse texto, pura e simplesmente por ser quem vos fala do sexo masculino. E na verdade é! Gostaria de expressar já aqui o que sinto ao chegar a essa conclusão, mas esse texto é sobre luz e não sombras, embora algo tenha que ser esclarecido de pronto. Da exegese do termo ao conceito ser tão discutido, teorizado e até legislado (muitas vezes com ares de causa conflitante e oposta à própria existência do “macho”) por homens, evidencia-se algo sombrio, muito mais intrigante do que a mera pergunta título. O conceito de feminilidade foi esculpido nos padrões morais da sociedade milenar dos machos. Ou alguém acha que um conselho de mulheres se sentou numa taverna, café ou biblioteca do mundo antigo e definiu: “olha, acho que sentar de perna aberta é coisa de homem, né!? Vamos deixar isso como um símbolo deles, ok?” Não... Não foi assim. 

Demorei a entender, mas muitas vezes o que choca num protesto, quando uma mulher tira a camisa e mostra os seios, por exemplo, não é a nudez em si (essa adorada e produto explorado no nosso mundo) senão o comportamento previsto como não feminino. A sociedade dos patriarcas sempre se apoiou em diversas opressões que garantiram seus poderes esse tempo todo. Mas nada que se compare ao total domínio da alma desse verdadeiro instituto de opressão: a feminilidade definida pelo patriarcado. A mulher que se adequa ao conceito, trabalhado minuciosamente e por todas as forças das construções culturais viciadas pelo patriarcado, surge na cabeça do ser social comum como feminina. Todavia, as que saem da cartilha não são simplesmente masculinizadas (porque isso seria o máximo numa sociedade de “machos”) e sim relegadas à condição tão inferior, mas tão inferior, que se assemelham muito mais aos arquétipos do maldito, usados nas relações nada amistosas entre os deuses e os seres inferiores. Esses últimos, quando desobedientes, levam sobre si as consequências, maldições mitológicas – perdem a vida, são deformados, são obrigados a viver em condições degradantes por toda a eternidade, etc. No microcosmo não seria diferente... De todos os grupos sociais, o único a permanecer unido, como objeto comum, monolítico, inquestionável de opressão, foi o grupo das mulheres. Como homem (acredito que nesse caso não importando a opção sexual) é impossível não entender a feminilidade e o que se espera dela sob os olhos do NOSSO patriarcado. Portanto, não me cai bem a ideia do tal feminista. Pode ser que o homem tenha função no processo de liberação? Claro que sim! Mas para mim essa participação passa pela seguinte declaração: sou homem hétero e machista. Em desconstrução? Bom, pela lógica é impossível saber, até que o juiz que julga não seja também o legislador, o Ministério Público, o advogado, a testemunha, a plateia, etc. Até porque não sou nenhum Sergio Moro (desculpem, não resisti). Desejo participar da liberação feminina? Sim, desejo e conheço outros homens também dispostos, mas não podemos ser autores desse julgamento específico, desse título de machista em desconstrução, antes das mulheres, organizadas social e politicamente, decidirem o que seria isso. Espero que num futuro, quando elas tiverem se livrado desse Deus tirano chamado patriarcado e, por consequência, criarem a própria identidade, aí sim, que nos deem o tal selo “machista em desconstrução” ou até mesmo feminista. Até lá meus amigos, somos machistas. Que as legislações e controles sociais sigam avançando em favor delas e contra esse nosso conceito sombrio do que seria feminino, até a total revolução e consequente liberação. E que minhas palavras sirvam a você aí, leitor que usa saia e barba cor de unicórnio. Feminista? Não, você não é. Nem sequer deve almejar, vergonhosamente, a vanguarda desse movimento de mulheres. O exercício político delas é que achará o nosso lugar nesse processo de liberação. 

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