O que resultou para os Estados Unidos a corrida espacial a Lua de Kennedy

Quando Gagarin ultrapassou mais uma vez os norte-americanos, Kennedy, num discurso à nação em 12 de setembro de 1962, declarou: “Nós escolhemos ir para a Lua”

www.brasil247.com - Astronauta Neil Armstrong na Lua
Astronauta Neil Armstrong na Lua (Foto: Divulgação/Nasa)


Olhando com cuidado o passado, veremos que a corrida espacial de Kennedy para chegar a Lua atrasaram os Estados Unidos em 62 anos perante a China e a Rússia, se acham que estou exagerando vamos aos fatos. 

Quando em 4 de outubro de 1957 a União Soviética colocou em órbita um pequeno satélite, Sputinik I, que simplesmente transmitia um sinal desde o espaço um mero Bip. O presidente da época, Dwight Eisenhower, sabia perfeitamente que os soviéticos possuíam tecnologia para tanto e que se houvesse um esforço mínimo do lado dos Norte-americanos eles poderiam em poucas dezenas de meses reproduzir o feito e continuar a vida como estavam levando. Já em 12 de abril de 1961, ou seja, praticamente quatro anos após o Sputinik I os soviéticos colocam em órbita um Cosmonauta Yuri Gagarin, que circulou a Terra três vezes para pousar no Cazaquistão. 

Esses dois eventos, tiveram dois efeitos diferentes nos dois presidentes, Eisenhower, se deu conta que as ciências físicas e matemáticas estavam fracas no seu país, lançou a Lei de Educação de Defesa Nacional, que começou a subsidiar alunos nas universidades, reformar currículos e dar subsídios a pesquisa. Porém como ainda era época do Macarthismo para conseguir esse financiamento qualquer um teria que assinar uma declaração negando a crença na derrubada do governo dos Estados Unidos, essa cláusula que consideraríamos violação do princípio da autonomia de cátedra só foi revogada anos depois em 1962. 

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Já por outro lado, quando Yuri Gagarin ultrapassou mais uma vez os norte-americanos, o presidente era o vaidoso John Fitzgerald Kennedy, que num discurso à nação em 12 de setembro de 1962 declarou “Nós escolhemos ir para a Lua”. 

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Todos acham que a chegada dos americanos à lua simplesmente os colocaram na vanguarda definitiva, entretanto para satisfazer o custoso programa Apolo (atenção Apolo é o deus da beleza), os soviéticos gastaram o que não tinham e os norte-americanos jogaram fora o programa espacial que produziria verdadeiro desenvolvimento, que foi o Programa X. 

Em 1944 foi criado um programa conjunto entre o Comitê Consultivo Nacional para Aeronáutica (NACA), a Marinha dos Estados Unidos (USN) e a Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF), a fim de desenvolver pesquisas em alta Aviões de alta velocidade, era a famosa série de aviões X. Começa com X-1 que em 1946 é o primeiro avião a ultrapassar a barreira do som em voo nivelado, X-2 em 1952 que é o primeiro avião que ultrapassa a Mach 3 (três vezes a velocidade do som), para finalmente em 1959 o X-15 é o primeiro avião em voo tripulado que voa a velocidade hipersônica, em X-15A-2 1964 North Americano Major Pete Knight voa a velocidade de Mach 6,7 sendo o piloto do programa X que tem o recorde de velocidade. 

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A denominação X do programa só é retomada por alguns aviões esquisitos de decolagem vertical com motores turboélice que terminaram em fracassos ou acidentes. A última tentativa de ressureição do nome X foi feita através do programa Joint Strike Fighter de 1992, resultando no X-35 A, B e C, que apesar de estar gastando praticamente o dobro do orçamento inicial do projeto e a concepção deste tipo de avião é baseada somente na sua “invisibilidade” aos radares convencionais as características que davam fama aos aviões norte-americanos do fim do século passado não se diferenciavam muito das de caças russos e chineses, não há uma clara supremacia. 

Porém, a principal perda dos norte-americanos fica clara no desenvolvimento de mísseis hipersônicos, enquanto a Rússia e China já possuem equipamentos em uso, o desenvolvimento desses mísseis patina. Ou seja, nas décadas de 50 e 60 aviões tripulados conseguiam velocidades hipersônicas algo que seria muito mais simples para colocar essa característica em mísseis. 

O mais interessante não é a incapacidade de produzir armas com características que começavam a ser dominadas mais de meio século depois de desenvolvimento tecnológico, mas sim de reproduzirem tecnologias já existentes, ou seja, houve uma perda de memória de tecnologias existentes. Alguém pode achar surpreendente que descrição de projetos, memórias de cálculo, plantas e demais componentes da documentação referente a equipamentos sensíveis e extremamente sigilosos durante a época que foram concebidos possam ser perdidos com o tempo, porém isso infelizmente ocorre em toda a área técnica. Quando se faziam projetos até os anos 60 todos os seus dados eram armazenados em papel. Como a maioria das empresas que fizeram os projetos não repassavam todas as informações aos governos na forma de livros ou relatórios detalhados, como essas empresas nessas seis décadas trocaram de propriedade e de responsáveis pela guarda das memórias, se não há um contínuo retrabalho das ideias evoluindo em torno do mesmo assunto a chance de se perder é imensa. Só para dar um exemplo, o caça Lockheed Martin F-22 Raptor, que é considerado o melhor caça norte-americano até a data de hoje, que foi produzido até 2011, a empresa Lockheed Martin há poucos meses quando necessitou construir peças que o desgaste geralmente é muito pequeno teve que contratar engenheiros especializados em engenharia inversa para recriar as plantas dessas peças que provavelmente foram perdidas. 

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Outros fatores que produzem essa perda de memória uma parte é causado pelo próprio descarte que responsáveis pela guarda de documentos fazem com papeis mais antigos que os mesmos acham superados e antiquados, também a mudança de geração de quem se ocupa com essa estocagem de informações também é danosa para a  guarda de documentos que se sabiam importantes e são em uma ou duas gerações de profissionais da área o julgamento da necessidade de sua guarda torna-se nebuloso e na ausência de espaço ou na modernização da forma de estocagem (plantas em papel, discos magnéticos e até microfilmes são descartados ou mesmo não há possibilidade de lê-los) se acham isso improvável os mais velhos tentem ler o que foi estocado em disquetes dos anos 70 a 90! 

Ainda há outro fator de perda de memória, a própria memória daqueles que trabalharam nos anos 60 em determinado projeto, supondo que os membros mais baixos da hierarquia técnica desses anos se tivessem 30 anos de idade se ainda estiverem vivos teriam atualmente aproximadamente 90 anos de idade, ou seja, salvo em casos excepcionais, só lembrariam de 10% do que fizeram. 

Mas retornando ao início do texto, o “savoir-faire” desenvolvido até 1964, quando voa o último X-15 e não continuado devido a “grande façanha” de chegar a Lua ter pego algumas pedras e terminado o trabalho meramente propagandístico, levou a descontinuar o que os USA estava 60 anos à frente da ex-União Soviética e se não for trilhado o mesmo caminho como os chineses estão fazendo atualmente, como se diz no ditado, não adianta chorar o leite derramado, porque esse foi perdido. 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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