Os pecados karnais e o julgamento da esquerda

Se, por um lado, condenamos aqueles que vivem nos mandando voltar prá Cuba, com olhos esbugalhados e espuma no canto da boca, por outro lado, esse linchamento público ao Leandro Karnal joga-nos no mesmo jardim da infância político, que forma aqueles que condenamos e forma também os fascistas

Se, por um lado, condenamos aqueles que vivem nos mandando voltar prá Cuba, com olhos esbugalhados e espuma no canto da boca, por outro lado, esse linchamento público ao Leandro Karnal joga-nos no mesmo jardim da infância político, que forma aqueles que condenamos e forma também os fascistas
Se, por um lado, condenamos aqueles que vivem nos mandando voltar prá Cuba, com olhos esbugalhados e espuma no canto da boca, por outro lado, esse linchamento público ao Leandro Karnal joga-nos no mesmo jardim da infância político, que forma aqueles que condenamos e forma também os fascistas (Foto: Heraldo Tovani)

“Tácito (55-120 dC) dizia que os homens apressam-se mais em retribuir um dano do que um benefício, porque gratidão é um peso e a vingança é um prazer” (...) “o ódio me torna superior a você, enquanto a gratidão me torna inferior” (Leandro Karnal)[1]

 

Leandro Karnal virou o mais novo saco de pancadas da esquerda.

Em vista disso, gostaria de ponderar que se, por um lado, condenamos aqueles que vivem nos mandando voltar prá Cuba, com olhos esbugalhados e espuma no canto da boca, por outro lado, esse linchamento público ao Leandro Karnal joga-nos no mesmo jardim da infância político, que forma aqueles que condenamos e forma também os fascistas, os inquisidores, a ku klux klan, os neonazistas...

Aqueles que querem nos deportar e que querem prender e arrebentar o PT e qualquer um que ouse manifestar simpatias pelas teorias do Estado de bem-estar social, buscam desesperadamente qualquer justiceiro que os saciem dessa tara masoquista, seja ele o Joaquim Barbosa, o Cunha, o Japonês da Federal, o Aécio, o Bolsonaro ou o Moro.

Mas esse movimento órfão, que busca um herói, um pai salvador no primeiro justiceiro que lhes apareça, é tão infantil quanto o movimento contrário, que busca o seu traidor, o seu judas, para queimar nas fogueiras da justiça proletária e assim saciar sua sede de vingança.

O ódio não é a nossa arma.

Nossa arma é a democracia, a liberdade de expressão, o livre pensar, o respeito ao direito do outro. Essa arma é a que nos faz fortes. Com essa arma é que lutaremos e venceremos os que hoje alojaram-se nos aparelhos do Estado e dominaram, com extrema força, a opinião majoritária e dominante.

A história nos ensina que os justiçamentos socialistas sempre foram motivo de envergonha para nós, da esquerda. Tanto os justiçamentos de Stalin como os dos PCs.

O linchamento público não pode mais ser tolerado.

Leandro Karnal, assim como Mário Sérgio Cortella, Clóvis de Barros, Luis Felipe Pondè e outros intelectuais que viralizam nas redes sociais, na atualidade, cumprem um importante papel de divulgadores e popularizadores do pensamento crítico, antes restrito ao interior dos muros das universidades e que, de outra forma, não chegariam a um grande público.

A educação, a divulgação do saber de forma abrangente é a mais fundamental arma de libertação que dispomos. Assim, cabe aos divulgadores do pensamento crítico, papel historicamente relevante no mar de superficialidades que domina as redes sociais.

O pecado Karnal, dizem os críticos, foi ceder aos prazeres da vaidade (o pecado, dentre os sete, preferido de Lúcifer), o que o levou diretamente ao inferno, onde, de seu trono, Sérgio Moro o seduziu com banquete, fotos e ampla divulgação, na rede. Mostrou-lhe todo o mundo e disse-lhe que tudo aquilo seria seu, se a Moro adorasse.

Será que selaram algum pacto?

Sua verdadeira face de adorador do Canhoto foi assim revelada?

Será ele o novo delator do Lula?

Ou, talvez, apenas conheceram-se, beberam vinho, jantaram, trocaram opiniões e, na euforia do momento, fotografaram-se, e como ainda não haviam provado do fruto proibido do bem e do mal, mostraram-se nus e suas vergonhas tornaram-se públicas.

O expulsaremos do paraíso?

Sim, senhor presidente, em nome de Deus, da Família, dos meus netos e do meu estado eu digo SIM!!!!

Que ódio é esse, senhores da esquerda nacional?

Lembram de nossos discursos de solidariedade, de liberdade, de nossa utopia de respeito à dignidade humana?

Então, ou casamos os nossos discursos com as nossas práticas ou caímos inapelavelmente na vala hipócrita da miséria humana e da indigência política.



[1] Leandro Karnal; Território do conhecimento – Palestra: O ódio no Brasil; Postado em 13/03/2017. https://www.youtube.com/watch?v=W0hvJyuCJCE

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