Planalto tem medo de jogar Barros ao mar

Ricardo Barros, "a quem se atribui o comando do esquema que atua na Saúde, é uma raposa velha da política", escreve Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia. "Sabe de muita coisa, e teria munição para explodir o quarteirão se não sair por bem - leia-se, numa negociação com o Planalto que lhe dê alguma vantagem", acrescenta

www.brasil247.com - Deputado federal Ricardo Barros
Deputado federal Ricardo Barros (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Por Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia

O governo piscou. Pela primeira vez, foi ágil na hora de demitir um funcionário acusado de corrupção, no caso o ex-diretor de Logística da Saúde, Roberto Ferreira Dias, ligado ao líder Ricardo Barros e suspeito de cobrar propina na compra de vacinas. O gesto denota preocupação. O Planalto, porém, está longe de se desvencilhar das mais graves denúncias já feitas até agora no governo Jair Bolsonaro.

Entre aliados de Bolsonaro, o sentimento é de que pode até não haver - ainda - votos suficientes para aprovar um impeachment ou um processo criminal contra o presidente, mas ele precisará fazer mais para se manter no cargo. A primeira providência lógica agora seria jogar também ao mar o líder Ricardo Barros - o que agradaria o presidente da Câmara, Arthur Lira, e parte do entorno presidencial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O problema, sobre o qual se debruçam hoje os palacianos, é aferir o grau de periculosidade política do atual líder do Governo. Barros, a quem se atribui o comando do esquema que atua na Saúde, é uma raposa velha da política. Tão esperto que esteve na base aliada de quase todos os governos mais recentes. Sabe de muita coisa, e teria munição para explodir o quarteirão se não sair por bem - leia-se, numa negociação com o Planalto que lhe dê alguma vantagem.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Qual, a essa altura, é difícil saber. Mas todos sabem o estrago que o fogo amigo pode fazer dentro de um governo. Já fragilizado politicamente, Bolsonaro resistiria ao tiroteio do líder? Há semanas, quando Lira - adversário interno de Barros no PP - pediu ao presidente a cabeça de Barros, não levou. O Planalto deve ter tido lá suas razões, que ainda devem estar valendo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nos próximos dias, a CPI da COVID vai ouvir os novos personagens do drama, envolvidos nos casos de suspeitas em torno das negociações da Covaxin e da Astrazeneca. Esta última entrou inesperadamente na roda com a denúncia de Luiz Paulo Dominguetti sobre a cobrança de propina de US$ 1 por dose a ser vendida.

A única certeza hoje em Brasília é que a sangria na imagem do governo, que perdeu de vez o discurso da corrupção, vai continuar. E que, com ou sem Barros, haverá um racha no centrão que pode marcar o início da debandada. É por esse caminho que a possibilidade de afastamento de Bolsonaro pode crescer.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email