Temer é o Amigo da Onça de Dilma e do Brasil

O Amigo da Onça sabe que um golpe nunca acaba bem para qualquer lado. Golpes contra mandatários eleitos legalmente retiram a paz social e a violência pode surgir em todos os cantos deste País, que não é mais o mesmo de 1964, pois industrializado, com um povo urbano e alfabetizado, além de informado sobre os acontecimentos políticos

O Amigo da Onça sabe que um golpe nunca acaba bem para qualquer lado. Golpes contra mandatários eleitos legalmente retiram a paz social e a violência pode surgir em todos os cantos deste País, que não é mais o mesmo de 1964, pois industrializado, com um povo urbano e alfabetizado, além de informado sobre os acontecimentos políticos
O Amigo da Onça sabe que um golpe nunca acaba bem para qualquer lado. Golpes contra mandatários eleitos legalmente retiram a paz social e a violência pode surgir em todos os cantos deste País, que não é mais o mesmo de 1964, pois industrializado, com um povo urbano e alfabetizado, além de informado sobre os acontecimentos políticos (Foto: Davis Sena Filho)

Quando eu olho ou penso no vice-presidente da República, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, vem às minhas retinas e memória o personagem do talentoso cartunista Péricles, o autor do incomparável Amigo da Onça, um sujeito sorrateiro e oportunista, nada confiável e que, se tiver oportunidade, deixa o pé no meio do caminho para que sua vítima tropece e se esborrache no chão, ou seja, tenha sua vida prejudicada.

O vice-presidente poderia pelo menos poupar os cidadãos de sua vilania política e partidária e ter escrito uma carta mais curta para reclamar da vida como se fosse uma simples dona de casa ou um trabalhador que estão a reclamar de suas rotinas, muitas vezes cansativas, pois sistemáticas. Contudo, Temer é o vice-presidente do Brasil e age como uma diva que foi abandonada no palco pelo diretor e o produtor, a ficar sem a luz da ribalta, que o político paulista sente tanta falta.

Além de escrever uma carta lamentável e que não dignifica o cargo de vice de um País tão importante como o Brasil, Michel Temer optou também por ratificar sua condição de político anão e muito aquém do que suas responsabilidades institucionais e constitucionais exigem. Afinal, ele aderiu ao golpe, e por escrito, sem a menor cerimônia, o que se torna uma ação emblemática, na qual o vice-presidente da República pula a cerca e cai nos braços de uma oposição feroz, irresponsável, que tenta de todas as maneiras efetivar um golpe contra a presidente Dilma Rousseff.

Temer adere ao golpe dos demotucanos e dos magnatas bilionários de imprensa, a chorar lágrimas de crocodilo ou a sorrir cinicamente como o Amigo da Onça das ilustrações e quadrinhos de Péricles. Por sinal, o vice-presidente é bem parecido com o famoso personagem, que durante décadas fez os leitores brasileiros rirem de suas diatribes e ações ardilosas, que sempre visavam causar danos àqueles que, porventura, o Amigo da Onça queria prejudicar, trair e destruir.

Seria mais cômodo e simples a Michel Temer se, ao invés de escrever uma carta "confidencial" razoavelmente longa e repleta de hipocrisias e veleidades, ele apenas se resumisse a uma frase com três palavras, que seria esta: "Aderi ao golpe!", pronto e fim de papo. O problema é que o vice deste País pertence à direita paulista, representa a mais alta burguesia do Estado Bandeirante, além de ser politicamente conservador.

Michel Temer é o tipo de político que jamais deveria errar com tamanha gravidade. Ele não tem esse direito, até porque é um jurista constitucionalista, que, por ocupar cargo tão importante, teria de ser ético mesmo contra seus próprios interesses, porque, ao se tornar mais um de tanto golpistas, coopera para fomentar o golpe e, com efeito, enfraquece a estabilidade democrática e institucional. Esse processo draconiano recrudesce a crise política e econômica, da qual se aproveitam a oposição demotucana e a imprensa de direita, que ora está a tratar de vender seu mais novo peixe para os brasileiros: o impeachment.

O que Michel Temer — o Amigo da Onça — está a fazer não tem perdão. Existem homens e homens, políticos e políticos, e, definitivamente, o Temer não é o vice de Lula, o empresário nacionalista José Alencar, que sempre se conduziu de forma republicana, a respeitar seu cargo e função e, mais do que isto, a jamais conspirar para derrubar um presidente da República com o qual formalizou uma aliança político-eleitoral.

Michel Temer é o que é, porque ele é o que é: um político de direita, que por circunstâncias e por ser do PMDB, partido da base dos governos petistas desde o primeiro mandato de Lula, subordinou-se à decisão da maioria de participar de um governo de coalizão. Com as sucessivas conspirações por parte do PSDB e de seus aliados, além dos ataques diuturnos da imprensa empresarial contra os governos do PT e suas lideranças, a alma traidora e contraditória do PMDB não suportou tamanha conspiração e, como um escorpião, grande parte dos políticos deste partido aderiu ao golpe — a traição.

Os golpistas ainda contam com a participação de setores ideologizados e partidarizados da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal, além da associação do PMDB de Temer, a liderá-lo na Câmara o presidente Eduardo Cunha, o principal agente do golpe, que levou o PMDB a desequilibrar a bancada governista, retirando-lhe a maioria, porque metade do PMDB, sem sombra de dúvidas, juntou-se, inescrupulosamente, aos golpistas liderados pelo PSDB contra a presidente legalmente eleita, Dilma Rousseff.

No Brasil de hoje a agenda se resume à pauta dos trustes midiáticos dos coronéis da imprensa meramente mercantil, de forma que os assuntos impostos ao povo brasileiro se restringem ao impeachment e à operação Lava Jato, que no momento dever estar no episódio 1.244.436, porque, se depender do juiz de primeira instância, Sérgio Moro, ele vai ajudar a oposição demotucana a sangrar o Governo e macular para desconstruir as imagens de Lula e Dilma. Afinal, em 2018 tem outra eleição presidencial, e desta vez a direita tem de vencer, a despeito de prejudicar o Brasil ou não.

Moro, como muitos outros juízes, promotores e delegados aecistas, somente prende petistas e jamais os tucanos, em hipótese alguma, até porque eles são inimputáveis no Brasil, mas não na Suíça. Creio ainda que o juiz da República do Paraná é mais um dos que consideram os brasileiros idiotas, que não percebem nada, porque são ingênuos e alienados ao ponto de não notarem que juízes tem lado, partido e cor ideológica. Não é mesmo, Gilmar Mendes?

Temer enviou uma carta, à moda Marina Silva, em um monte de lamúrias e vaidades que chegam a ser novelescas. O vice, a choramingar, reclamou de sua falta de protagonismo e de influência, na verdade, abriu a caixa de Pandora, de forma articulada, astuta e maliciosa, juntamente com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que, apesar de ser um cadáver político, ainda faz composições contra o Governo Dilma, mesmo a ser acusado de inúmeras irregularidades e ilegalidades em sua vida política e pessoal.

A verdade é que se trata de golpe na veia, e temer se tornou um dos seus principais agentes. Surreal. Um vice-presidente constitucional se voltar contra a presidente eleita. Qualquer pessoa ou político pode se voltar contra a mandatária, sendo que de forma legal e democrática. Menos o Temer. Ele foi eleito em uma chapa, o que já basta, independente de suas vontades e desejos, para que ele se recolha à sua condição institucional e constitucional.

O Amigo da Onça sabe que um golpe nunca acaba bem para qualquer lado. Golpes contra mandatários eleitos legalmente retiram a paz social e a violência pode surgir em todos os cantos deste País, que não é mais o mesmo de 1964, pois industrializado, com um povo urbano e alfabetizado, além de informado sobre os acontecimentos políticos.

Golpes trazem inconformismos e paixões desenfreadas, sendo que, seguramente, o golpista que, hipoteticamente, assumisse o poder não teria as mínimas condições políticas de governar, porque o Brasil, aí sim, entraria em uma verdadeira crise, muito maior do que a evidenciada e apregoada pelas mídias de direita, que desejam a tomada da Presidência por um político conservador, que, obviamente, vai novamente implementar os ditames do neoliberalismo, a ter o Pré-Sal como o primeiro alvo a ficar nas mãos das multinacionais do petróleo.

A verdade é que Dilma Rousseff é a referência para tirar o PT do poder. A direita não está apenas a enfrentar personalidades políticas, como os presidentes Lula e Dilma, mas, sobretudo, preocupa-se em destruir os programas de Governo e o projeto de País efetivados pelos dois presidentes trabalhistas. O que está em jogo é muito maior. O que corre perigo é o projeto nacionalista do PT e do PCdoB, que prevê a independência do Brasil e a emancipação do povo brasileiro, que nos últimos 13 anos teve acesso a inúmeros benefícios e direitos.

Evidentemente, nos tornamos um povo mais exigente e que, seguramente, não vai concordar em ter perdas e prejuízos, a partir da hora que a direita conquistar o poder por intermédio de golpes ou do voto, em 2018. Os golpistas não passarão! O vice-presidente agora tem de enviar uma carta chorosa e sorrateira para o Papai Noel. Talvez o Bom Velhinho o atenda. Michel Temer é o Amigo da Onça de Dilma e do Brasil. Que o diga o Péricles. É isso aí.

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