Uma crônica da era de ouro brasileira

É preciso ter em mente a gratidão que uma imensa parcela da população brasileira tem com Luiz Inácio. Os sonhos brasileiros mais diversos se tornaram realidade. O Brasil conheceu o mundo e vice-versa

José nasceu na aurora da década de noventa, mais precisamente na comunidade da vila de Santa Luzia, nas entranhas do rio Capibaribe, em Recife, entre entulhos, ratos, medo, mangue, violência, futebol e a desesperança ligada a quase todos estes substantivos. Viveu sua infância assim, por entre as tripas expostas da famigerada era FHC.

Havia falta d’água nestes anos difíceis em Pernambuco; no Nordeste em geral enfim. O banho era de cuia, a comida e o dinheiro escassos. Sem mencionar certas enchentes traumatizantes.

A liberdade teimava, porém, volta e meia e vinda pelos ares, a dar sua graça: aos fins de semana, José atravessava, quase sempre com sua mãe e guardiã, a ponte da favela do Rio Capibaribe, desembocando no bairro de Casa Amarela, um dois mais importantes e populosos da cidade, para ver sua avó. Esse trajeto a pé instituiu o pilar e sentido lato de periferia em seu ser. Desde então, José sabia em que chão suas raízes estavam fincadas.

Sua amiga íntima, a praia, que sempre atraía os olhos observadores de José para apreciar sua água sagrada, e o som de “A Cidade”, ouvido ao mesmo tempo em que se contemplava a vista da favela do Alto Treze de Maio (Casa Amarela), que dava justamente para a imensidão verde-azul, eram das mais importantes manifestações de libertação, tanto do espírito quanto da carne, para o menino.

Deste mirante, ressoava e se projetava em sua cabeça o retrato complexo de Recife, com prédios e muitos mocambos, vários pobres e alguns ricos, e os versos pujantes: “A cidade se encontra prostituída por aqueles que a usaram em busca de saída. Ilusora de pessoas de outros lugares - a cidade -, sua fama vai além dos mares. No meio da esperteza internacional, a cidade até que não está tão mal. E a situação sempre mais ou menos: sempre uns com mais e outros com menos.” De lá do alto via-se a cidade dos de cima e a cidade dos de baixo, o menino via o Brasil, lindo em sua feiura. Desigual.

Passou-se o tempo. Virou-se o milênio. Virou-se o mundo. Virou-se a página política do Brasil com a chegada de Lula e do Partido dos Trabalhadores ao poder. Virou-se, também, de ponta cabeça a vida de José, porque seu pai, que já vendeu panos-de-prato nas ruas e mercados do centro de Recife, finalmente conseguiu um emprego promissor no agreste pernambucano, região detentora de um poderoso comércio de tecidos e confecções, com a feira de Caruaru como seu termômetro. A empresa mineira Cedro & Cachoeira, da qual seu pai era representante comercial, estava sob o controle de José de Alencar, vice-presidente na era Lula.

Com o lulismo, o progresso civilizatório de José e seus parentes e o progresso político-econômico do país compunham o mesmo quadro que dava o panorama do Brasil para o mundo. Esse processo, que mesclava genialmente o sindicalismo com o empresariado, personificados nas figuras do presidente e do seu vice, impulsionou a sociedade brasileira ao centro da cena mundial. Além da cachaça, do futebol e do carnaval, o mundo começou a sentir o protagonismo brasileiro no roteiro da cena geopolítica global, com sua diplomacia de vanguarda e seus negócios multilaterais. Cresceu-se, assim, a respeitabilidade dos povos para com a nação sul-americana.

Em decorrência deste processo, as portas do mundo se abriram para José. Com as políticas de inclusão das classes menos abastadas ao orçamento estatal e o acesso de uma grande parcela desta “ralé” (genialmente conceituada por Jessé Souza) à classe média, sendo a família do menino um exemplo inconteste, os caminhos se mostraram acessíveis para o desenvolvimento do intelecto, advindo com o acesso à educação de qualidade, e para o desbravamento e conhecimento de outros povos e culturas (cabe aqui citar o programa Ciências sem Fronteiras como vetor deste acometimento). Muitos brasileiros viajaram pelo mundo. Muitos brasileiros, como José, adquiriram e deram conhecimento. Ensinamos e aprendemos, com inúmeros povos, na era Lula.

Isto posto, é preciso ter em mente a gratidão que uma imensa parcela da população brasileira tem com Luiz Inácio. Os sonhos brasileiros mais diversos se tornaram realidade. O Brasil conheceu o mundo e vice-versa. José, pernambucano como seu Presidente, sentiu e viveu um pouco a sua trajetória. Sua família veio da pobreza, penou durante anos com a mesma singeleza e força de vencer que se via em Lula e, muito graças às suas políticas, subiu de patamar em termos de dignidade.

Percebeu o menino que a vida pode ser bem vivida quando se têm humildade, oportunidades, inclusão e o acesso aos direitos fundamentais, eficazmente fornecidos durante os governos petistas.

José compõe, assim, o “Lulismo Selvagem” (ler Rogério Skylab), desde sua formação até os nossos tempos. Ele é parte da ideia em que se transformou Lula; é um dos grãos da primavera que o pernambucano de Caetés, cidade que se encontra exatamente no agreste pernambucano, anunciou.

José espera ver Lula livre para contar-lhe sua história, que é a mesma de tantos Silvas matutos nordestinos que viram ser possível viver seus sonhos e desejos.

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