Ciro Nogueira desiste de eleição no Piauí, fica na Casa Civil e pretende coordenar provável transição de poder

Presidente do PP, ministro da Casa Civil decide ficar no Planalto até o fim do governo. Partido seguirá com Bolsonaro. Nogueira vê erro em postura antivacina

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Marcos Corrêa/PR | Secom (Foto: Marcos Correa)


Por Luís Costa Pinto, do 247 – Já em recesso de fim de ano, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, que é também senador pelo Piauí e presidente nacional do Progressistas (PP), aproveitou para analisar dados e pesquisas que havia encomendado e tomou a decisão de seguir até o fim do atual governo na pasta para a qual foi nomeado por Jair Bolsonaro em julho deste ano a fim de lubrificar acertos políticos no Congresso e consolidar a relação com o “Centrão”.

“Pensar numa candidatura no Piauí só faria sentido se fosse dentro de um projeto para segurar a eleição do governador Wellington Dias (PT) para o Senado”, disse ele a Bolsonaro ao expor os motivos que fundamentaram o caminho que escolheu. “Mas, ninguém conseguirá barrar a eleição do Wellington. Serei mais útil no ministério”.

Em seu quarto mandato à frente do Governo do Piauí, o petista Dias, que é candidato a senador, tem avaliação positiva de 63% dos eleitores piauienses segundo pesquisa PoderData divulgada em 21 de outubro, realizada com base de 2.000 entrevistas telefônicas em 113 municípios em parceria com a TV Antena 10 (margem de erro de 2,2 pp). O levantamento mostrou ainda que Jair Bolsonaro tem 64% de rejeição no estado, total de avaliações de “ruim e péssimo” para sua gestão. Para governador, Wellington Dias apoia Rafael Fontelles (PT), secretário estadual da Fazenda.

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O grupo político de Ciro Nogueira, que tinha aliança com Dias até o início das campanhas  municipais de 2020, quando os dois romperam, deverá apoiar a candidatura do ex-prefeito de Teresina Sílvio Mendes (PSDB) ao governo estadual. Deputada federal, Iracema Portella (PP), aliada de Nogueira, com quem foi casada até 2020, corre por fora na disputa pela indicação à candidatura de uma aliança PP-PSDB no Piauí. Contudo, a tendência é o “Progressistas” apoiar Meira e definir outro nome para disputar olimpicamente o Senado com Dias. “Disputar olimpicamente” significa marcar posição na urna, pois se sabe que a derrota é o resultado mais provável dada a solidez da candidatura do adversário.

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Transição em 2022 e reconexão com Lula

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A um amigo com quem conversou, já durante suas breves férias, e para quem revelou o projeto de seguir na Casa Civil, Ciro Nogueira disse considerar um erro estratégico imenso o recrudescimento da postura antivacina do presidente Jair Bolsonaro. Ela encontra eco em outros setores do governo federal – o Ministério da Educação divulgou portaria nesta sexta-feira, 30/12, proibindo instituições federais de ensino de cobrarem passaporte da vacina dos alunos e o Ministério da Saúde vem retardando o início da vacinação contra o vírus Covid-19 de crianças entre 5 e 11 anos, apesar de manifestação favorável à vacina infantil feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

“Ficar contra a vacinação, contra vacinar crianças, arrebenta tudo de vez. Já não está fácil, o adversário é inteligente e bom de voto, e esse discurso antivacina, agora, é maluquice”, desabafou Nogueira. “Se o presidente sentar para pensar na campanha, no ano duro que teremos, começar a listar tudo o que fizemos, há chance. Mas, esse negócio da vacina, estraga qualquer estratégia, porque o povo quer vacina”.

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O ministro da Casa Civil, na sua pretensão por seguir no ministério, vê-se como condutor dos rumos do governo ao longo do ano e artífice de uma eventual transição caso os fatos insistam em ocorrer no sentido da lógica atual: vitória do ex-presidente Lula (PT) no pleito presidencial, como indicam as pesquisas pré-eleitorais de diversos institutos feitas ao longo de 2021 (inclusive, com possibilidade de vitória em 1º turno). “Se Lula ganhar, e temos de trabalhar com esse fato, não será uma transição fácil. Vai ser preciso ter profissionais da política na transição”, chegou a dizer Ciro Nogueira ao amigo, com quem conversou no recesso. 

O senador piauiense e ministro da Casa Civil é um profissional da política. Tem 52 anos de idade e no próximo ano celebrará 32 anos de mandatos eletivos numa série ininterrupta. Terá mais quatro anos de mandato no Senado, até 2026, quando pretende pausar a carreira política. Se conseguirá fazê-lo, o tempo dirá. Essa é a meta que traça olhando para 2022 no horizonte: seguir no Palácio, ser artífice de uma transição que se prenuncia dificílima entre o poder que se esvai e a nova conjugação de forças que surge e, depois, reorganizar os espaços que construiu como liderança política.

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