Delegado diz que foi sondado para cargo na PF-RJ e revela interferência de Ramagem a mando de Bolsonaro

Em depoimento, Alexandre Saraiva revelou ter recebido um telefonema em 2019 de Alexandre Ramagem, da Abin, para assumir a Superintendência no Rio. A sugestão teria vindo do próprio presidente, sem comunicação ao então diretor-geral, Maurício Valeixo

www.brasil247.com - Alexandre Ramagem, Alexandre Saraiva e Jair Bolsonaro
Alexandre Ramagem, Alexandre Saraiva e Jair Bolsonaro (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil | Divulgação/PF)


247 - Em depoimento prestado nesta quarta-feira (13) no âmbito do inquérito que apura se Jair Bolsonaro interferiu na Polícia Federal, o superintendente da corporação no Amazonas, Alexandre Saraiva, revelou ter sido sondado em 2019 por Alexandre Ramagem, então diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), se aceitaria assumir o cargo de superintendente da PF no Rio de Janeiro. 

De acordo com o delegado, Ramagem disse a ele “que o presidente Bolsonaro tinha alguns nomes para sugerir ao ex-ministro Moro para ocupar a função”, o que revela que Jair Bolsonaro não apenas atuou para escolher o superintendente da PF no Rio como contou com a ajuda de Ramagem - que chegou a ser nomeado como diretor-geral da PF - para recrutar nomes sem o conhecimento do diretor-geral, Maurício Valeixo, que acabou sendo demitido. 

Em resposta à proposta, Saraiva contou ter respondido “prontamente” que sim. O então ministro da Justiça, Sergio Moro, reagiu, segundo o depoimento de Saraiva. “Saraiva, que história é essa de você no Rio de Janeiro?”, indagou Moro ao delegado, de acordo com reportagem da revista Veja

No depoimento, Saraiva contou também que é amigo de Ramagem, mas que não tem qualquer relação de amizade com Bolsonaro e seus filhos, e ainda que chegou a conversar com Bolsonaro depois da campanha de 2018 para ser indicado a ministro do Meio Ambiente, conversa que não avançou. 

Bolsonaro tem negado interferência em cargos de comando na PF, denúncia feita contra ele por Sergio Moro, que aponta como prova um vídeo da reunião ministerial ocorrida em 22 de abril no Palácio do Planalto, onde, segundo o ex-juiz, Bolsonaro teria dito que gostaria de trocar o comando na PF para proteger sua família.

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