Mercadante: base social de Bolsonaro vai desmoronar após as eleições

Para o ex-ministro Aloizio Mercadante, o governo federal está ingressando em um novo ciclo turbulento, que compreende o agravamento da crise econômica, a cisão da equipe bolsonarista e o fim do auxílio emergencial. “Será muito grave o quadro que nós vamos ter de fome e de instabilidade social”, disse à TV 247. Assista

Aloizio Mercadante e Jair Bolsonaro
Aloizio Mercadante e Jair Bolsonaro (Foto: ABr | Alan Santos/PR)
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247 - O ex-ministro Aloizio Mercadante afirmou à TV 247 que a base social que apoia Jair Bolsonaro atualmente irá se desmantelar após as eleições. Isto porque, segundo ele, o término do auxílio emergencial em 2021, que é o que sustenta o governo no momento, causará um grave cenário entre os brasileiros, fator que se somará ao desgaste interno da equipe bolsonarista e outros temas.

“Denúncia contra a família, o fim do auxílio emergencial, o agravamento da crise, a total incapacidade de coordenar e planejar a crise, isso está exaurindo a base social. O desgaste com a ala militar vem crescendo, o vice-presidente em conflito, o ministro da Saúde, que já é o terceiro, foi totalmente desmoralizado, o Paulo Guedes muito desgastado. Eu acho que o governo está caminhando para uma nova crise, para um novo ciclo de instabilidade, como havia antes do auxílio emergencial e antes da composição dessa maioria que ele conseguiu abafar, o Centrão”, analisou.

Mercadante ainda ressaltou que os pobres formam a parcela da sociedade que mais sofre com a pandemia e que a inflação os atinge mais fortemente do que o restante da população, o que causará um panorama de convulsão social intenso em um futuro próximo. “Essas pessoas não conhecem a pobreza, não têm compromisso, não têm articulação, não têm vivência e têm desprezo. É uma passagem muito brusca. Subiu 15% os alimentos esse ano, na média. A inflação para os mais pobres está em torno de 5,9%, é o dobro do resto da sociedade. Os mais pobres estão com custo de vida maior. Enquanto você tinha renda emergencial, você conseguia atravessar esse ciclo, mas sem a renda emergencial e com o preço que estão as coisas, será muito grave o quadro que nós vamos ter de fome e de instabilidade social. Vai ter um desmoronamento da base social do Bolsonaro depois da eleição, uma insatisfação. Acho que essa insatisfação e essa polarização vão crescer fortemente em 2021”.

Sobre a politização da vacina contra a Covid-19 promovida por Bolsonaro, Mercadante lamentou sua postura e lembrou da expertise chinesa relacionada à medicina. “É dramático em uma situação como essa ele celebrar que vai ter atraso em uma vacina chinesa. A vacina do H1N1 é chinesa, 75% dos insumos fármacos do Brasil são produzidos na China. Nós temos que buscar as melhores soluções, e a China tem uma larga tradição de medicina, eles têm uma larga tradição de eficiência. Todas as pandemias e endemias nasceram na China, com exceção da gripe espanhola, então eles têm vivência, têm tecnologia para administrar esse processo. E o Instituto Butantan é muito sério do ponto de vista técnico. Não vai ter vacina para 220 milhões de pessoas sem planejamento, sem coordenação e com esse tipo de obstrução e não participação do governo federal. Não teremos”.

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