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Brasil

O trânsito que mata

O sistema viário brasileiro, infelizmente, é um campo de mortes, onde os motoristas são protagonistas de uma peça em movimento, cujo enredo é a extinção dos seres humanos de uma forma sinistra

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No Brasil, constata-se um dos mais elevados índices de mortes em razão de acidentes automobilísticos. O governo brasileiro, em vez de cuidar, primeiramente, do planejamento, da infraestrutura e de dar noção aos cidadãos com a devida inserção de disciplinas capazes de conscientizar crianças e adolescentes, já nos bancos escolares, preocupa-se, apenas, com os aspectos econômicos e industriais.

Os Estados Unidos da América têm uma frota três vezes superior a nossa, entretanto, a contabilidade de acidentes e mortes em nosso território ultrapassa as estatísticas daquele país. A diferença está exatamente nos itens que mencionei, a exemplo da infraestrutura e da conscientização dos estudantes que são os futuros condutores de veículos. Enquanto lá as estradas são de ótima qualidade, aqui, as rodovias são inseguras e, em boa parte do território, os deslocamentos ainda são feitos por estradas vicinais.

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A manutenção da nossa malha viária é algo censurável. Quem viaja de carro por esse imenso torrão brasileiro sabe os riscos que enfrenta em função das péssimas condições das pistas nas mais diversas regiões. A situação é tão grave que, em alguns estados, motoristas já apelidaram determinadas vias como rodovias da morte. É realmente lastimável!

Além dos componentes técnicos aludidos, também nos deparamos com uma questão ética extremamente deplorável. É que os órgãos responsáveis por esse setor fundamental para o desenvolvimento a exemplo do DNIT, sempre aparecem em manchetes, como espaços reservados às falcatruas e à corrupção. Ou seja, para cada centavo desviado por agentes públicos, políticos e empreiteiros, milhares de pessoas morrem por falta de investimentos corretos.

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Já nos municípios de médio e grande portes, gestores públicos inescrupulosos enchem as cidades de radares que visam apenas, somente, a subtração de dinheiro dos motoristas. Esse procedimento abjeto, que a população já batizou de indústria de multas, serve exclusivamente para abarrotar os cofres públicos de moedas. Contudo, do montante recolhido com as punições infligidas aos proprietários de veículos, pouco ou quase nada é investido em campanhas educativas ou em ações que resultem na melhoria do trânsito. De acordo com matéria divulgada pelo Programa Fantástico, da Rede Globo, empresas responsáveis pela implantação desses sistemas servem como máquinas caça-níqueis para assaltar os cidadãos. O pior é que tudo acontece com firmas mancomunadas com gestores públicos, inclusive prefeitos.

Diante de tantos problemas e de condutas reprováveis de quem deveria trabalhar com seriedade, só poderíamos estar na situação vergonhosa na qual nos encontramos. O sistema viário brasileiro, infelizmente, é um campo de mortes, onde os motoristas são protagonistas de uma peça em movimento, cujo enredo é a extinção dos seres humanos de uma forma sinistra.

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A sociedade, por sua vez, também resiste a algumas ações eficientes como o uso do bafômetro nas rodovias. Muitos se valem até de intepretações diversas de princípios constitucionais, para se esquivarem dessa imprescindível averiguação. O Congresso, como sempre atrasado nas suas decisões, foi compelido pela análise assustadora das altas taxas de acidentes de trânsito, resultantes do consumo de bebidas e/ou drogas, resolveu tornar a lei mais enérgica. É preciso aplicá-la com rigidez para evitar descomedimentos. Afinal de contas, uma boa farra pode terminar na morte de quem ingeriu álcool ou de uma vítima inocente.

O Estado e sociedade devem agir antes que os dígitos relativos a óbitos avultem.  Disciplinas sobre trânsito no sistema de ensino, infraestrutura adequada e honestidade dos gestores na aplicação dos recursos públicos são algumas das medidas imperiosas. Os governantes devem ser benevolentes na abertura de crédito para aquisição de automóveis, mas também devem ter a responsabilidade para criar um arcabouço apropriado. Caso contrário, em vez de um bem para locomover-se, o cidadão estará adquirindo uma arma para liquidar a própria vida ou a vida de outrem.

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É importante ressaltar que os inumeráveis acidentes com carros e motos, que acontecem diuturnamente no Brasil, têm aumentado consideravelmente as despesas públicas na área de saúde. Muitos brasileiros morrem, e outros ficam com sequelas permanentes.  Desse modo, disciplinar e humanizar o trânsito, além de ser uma ação cidadã imprescindível, é também uma questão de gestão pública. É necessário reduzir acidentes, preservar vidas e propiciar uma melhor perspectiva para todos.

Mendonça Prado é advogado e deputado federal por Sergipe

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