OAS pagou seus delatores para ajustarem depoimentos

Após a delação do ex-presidente da empreiteira OAS Léo Pinheiro só passar a ter validade quando mudou sua versão e incriminou diretamente o ex-presidente Lula, voltaram à tona as denúncias de que as delações de outros executivos da construtora teriam ajustado seus depoimentos aos interesses da empresa em troca do pagamento de até R$ 6 milhões

(Foto: Reprodução)

247 - Após a delação do ex-presidente da empreiteira OAS Léo Pinheiro só passar a ter validade quando mudou sua versão e incriminou diretamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como revelado pela reportagem do jornal Folha de S. Paulo em parceria com o The Intercept (leia no Brasil 247), voltaram à tona as denúncias de que as delações de outros executivos da construtora teriam ajustado seus depoimentos aos interesses da empresa em troca do pagamento de até R$ 6 milhões. Nesta quinta-feira, porém, Pinheiro negou ter sido pressionado a fechar o acordo com a força-tarefa da Lava Jato (leia no Brasil 247). 

A denúncia de que os executivos OAS teriam ajustado as suas delações para atender os interesses da empresa foi revelado em março pelo site Conjur, após o ex-gerente administrativo da OAS Adriano Quadros de Andrade ingressar com uma ação trabalhista na qual afirmava que os executivos da empresa que fizeram acordos delação premiada teriam recebido R$ 6 milhões para ajustar os termos depoimentos. Como Andrade negociou sozinho, teria sido alvo de represálias e não recebeu o dinheiro oferecido aos demais delatores. 

Na ação, Adriano alegou ter recebido “tratamento discriminatório”, além de ter sido demitido sem receber o adicional de 40% de FGTS ou qualquer outro tipo de amparo financeiro por não ter sido incluído junto aos demais diretores “cujas delações foram montadas de acordo com as diretrizes do "andar de cima" da empreiteira”, destaca a reportagem feita à época.  O ex-executivo foi condenado, ainda a pagar uma R$ 150 mil, que posteriormente foi ajustada para R$ 250 mil. Um outro ex-diretor da OAS, Mateus Coutinho de Sá, confirmou as alegações de Andrade. 

O uso da delação premiada como mecanismo de pressão por meio da Lava Jato vem sendo questionado pela própria comunidade jurídica e, também, pela sociedade. As revelações feitas pelo The Intercept de que os processos da operação teriam sido direcionados visando impactos políticos também repercutiram no Congresso, que avalia a adoção de mecanismos para evitar abusos e, também, para assegurar a liberdade do ex-presidente Lula, mantido como preso político em Curitiba graças à delação feita sob pressão de Léo Pinheiro. 

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