Relembre como MBL, que invadia escolas, alimentou ódio que influenciou jovens na extrema direita

Documentário da TV 247 mostra como o grupo de agitação fascista intimidava e censurava professores e estudantes e ajudou a criar clima de hostilidade contra o ambiente educacional

Fernando Holiday, Renan Santos e Kim Kataguiri
Fernando Holiday, Renan Santos e Kim Kataguiri (Foto: Reprodução/Internet)


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247 - Um minidocumentário publicado no canal de Cortes da TV 247 relembra como o grupo de extrema-direita MBL atuou como protagonista na criação de um clima de hostilidade contra professores, escolas e o ambiente educacional como um todo.

A peça junta documentos como matérias jornalísticas, depoimentos de estudantes e até mesmo vídeos de próprios integrantes do MBL descrevendo o modo de agir do grupo, que invadia escolas para intimidar professores em sala de aula e censurar os conteúdos ministrados aos alunos.

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"A gente está indo fiscalizar a estrutura dessas escolas, para ver se está tudo em ordem, as salas de aula, salas de leitura, etc, mas também fazendo uma coisa que alguns não fazem, que é fiscalizar o conteúdo que está sendo dado em sala de aula, isso é, se está havendo algum tipo de doutrinação ideologica, se os professores estão dando aquilo que realmente deveriam dar [...]", disse Fernando Holiday, vereador de SP e ex-integrante do MBL, em vídeo publicado nas suas redes sociais quando ainda fazia parte do grupo e promovia tais práticas de intimidação.

Além de perseguir professores, o grupo também tinha como alvo estudantes que ocupavam escolas para reivindicar melhores condições de ensino. Durante as manifestações estudantis de 2016, contra a reforma do Ensino Médio promovida por Michel Temer, membros do MBL como o ex-deputado Arthur do Val (Mamãe Falei) e Renan Santos se dirigiram à escola ocupada Colégio Estadual do Paraná (CEP) para constranger alunos e descredibilizar o movimento.

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Ao Jornalistas Livres, uma das estudantes relatou o episódio e explicou que a dupla do MBL foi à escola ocupada com o intuito de gravar vídeos ridicularizando os estudantes presentes: "as perguntas eram tendenciosas, a intenção deles era constranger os estudantes, não era uma entrevista para um canal com boas intenções, porque ele chegou falando que queria mostrar a realidade das ocupações e não foi o que aconteceu".

À época, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino publicou nota repudiando a atitude dos agitadores de extrema direita e defendendo os estudantes: 

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"Como representantes de cerca de 1 milhão de professores e técnicos administrativos que atuam no ensino privado, a Contee repudia todas as agressões contra esses estudantes que estão legitimamente defendendo seu direito à educação. A Confederação também exige providências do Poder Público, em todos os seus níveis, contra os discursos de ódio e incitação à violência que atacam o direito de organização e mobilização da juventude".

O movimento iniciado pelo MBL escalou com o tempo e repercutiu entre outros agentes, criando uma verdadeira onda de hostilidades em ambientes educacionais. Uma matéria da Rede Brasil Atual de 2017 registra o dia em que policiais militares invadiram uma audiência pública sobre direitos humanos na Unifesp (Baixada Santista).

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"Professores da universidade relatam que o campus foi ocupado por quase uma centena de policiais, 'muitos fardados e inicialmente armados', que defendiam a exclusão de conteúdos relativos aos direitos humanos do currículo das escolas. Eles reivindicavam, por exemplo, a mudança da nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964, e a retirada da 'discussão de gênero nas escolas'", diz trecho da reportagem.

Com o governo Bolsonaro, a aversão à educação se transformou em aversão à Ciência como um todo e passou a ser institucionalizada e difundida pelo próprio presidente da República durante a pandemia de Covid-19.

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Enquanto isso, na internet, em redes sociais abertas e principalmente em grupos obscuros, jovens se reuniam para conspirar contra o ambiente educacional.

Alguns deles não ficaram nas palavras e, infelizmente, foram à prática: apenas nos primeiros quatro meses de 2023, o país sofreu dois atentados com vítimas em escolas - em um colégio de São Paulo, onde uma professora foi assassinada a facadas por um aluno do 8º ano, e em uma creche de Blumenau, onde quatro crianças foram assassinadas por ataques de machado desferidos por um invasor.

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Confira o documentário abaixo:

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