Ancine corta apoio a dois filmes sobre LGBTs; produtores acusam censura

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) suspendeu o termo de permissão que dava aos produtores dos filmes “Greta” e “Negrum3” uma ajuda de custo de 4,6 mil reais, para cada, com o objetivo de que os filmes participassem do Festival Internacional de Cinema Queer, em Lisboa

Carta Capital - A Agência Nacional do Cinema (Ancine) suspendeu o termo de permissão que dava aos produtores dos filmes “Greta” e “Negrum3” uma ajuda de custo de 4,6 mil reais, para cada, com o objetivo de que os filmes participassem do Festival Internacional de Cinema Queer, em Lisboa.

Três semanas atrás, a Ancine havia aprovado a “concessão de apoio financeiro” para os filmes. Os longas tratam sobre homossexualidade e negritude. “Greta” é estrelado por Marco Nanini e fala sobre um enfermeiro homossexual que é fã da atriz Greta Garbo. Já os produtores de “Negrum3” definem a trama como “um ensaio sobre negritude, viadagem e aspirações espaciais dos filhos da diáspora”.

Em nota, a agência afirmou que todos os apoios previstos no Programa de Apoio a Festivais Internacionais estão sendo reavaliados, em razão do contingenciamento orçamentário determinado pelo governo.

“A divulgação de projetos contemplados no Programa não representa garantia de que eles receberão os recursos, uma vez que o próprio termo de compromisso firmando o apoio condiciona o aporte à disponibilidade orçamentária. O critério do corte foi exclusivamente temporal: foram mantidos os apoios a filmes contemplados em festivais já realizados ou em curso”, escreveu a agência.

Procurada, a produção do “Negrum3” afirmou que já está com as passagens compradas para o festival, mas esperava que o financiamento cobrisse parte dos custos da viagem. A saída agora é pedir colaborações de internautas em uma vaquinha.

“A justificativa oficial é a falta de disponibilidade orçamentária, mas, na mesma decisão, a Ancine diz que irá continuar apoiando a participação de filmes em outros festivais. Levando em conta que Negrum3 é um filme que fala da celebração de bichas pretas e a temática do festival do qual ele irá participar, fica claro o viés político de censura da decisão tomada pela Diretoria da Ancine”, disse Victor Casé, da Reptilla Produções.

Na semana passada, os produtores do filme “Marighella” também anunciaram complicações com a Ancine. Dirigido por Wagner Moura, o longa estrearia em 20 de novembro nas telas brasileiras, porém, decisões da agência fizeram a data ser adiada.

A Ancine tem passado por mudanças, desde que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) expressou insatisfação com as produções apoiadas pela agência. Em 30 de agosto, houve troca na cúpula. Com o afastamento de Christian de Castro Oliveira da presidência do órgão, quem comanda a diretoria agora é o advogado Alex Braga.

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