Grandes filmes que ninguém viu

Livro conta a histria da superproduo Napoleo, dirigida por Stanley Kubrick, que foi to megalomanaca quanto o personagem que retratava mas nunca chegou a ser finalizada. E no foi a nica

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Natália Rangel_247 - A lendária obra-prima nunca finalizada de Stanley Kubrick, sobre o general francês Napoleão Bonaparte, tem a sua história retratada em livro recém-lançado pela Taschen, “Napoleon”. Há 40 anos, Kubrick começou a trabalhar na superprodução americana, logo depois do sucesso de 2001- Uma Odisseia no Espaço. Tratava-se de uma ambiciosa cinebiografia épica, com cenas espetaculares de batalhas em terra e no mar. Para escrever o roteiro, Kubrick passou dois anos pesquisando o assunto, com a ajuda de dezenas de historiadores e de Felix Markham, um especialista na vida de Napoleão Bonaparte da Universidade de Oxford. Ele vasculhou 30 mil imagens e vídeos históricos sobre Napoleão, numa busca obsessiva dos mínimos detalhes de sua trajetória pessoal e política.

Quando finalizou o roteiro e as tomadas das locações e os custos, os dois estúdios que bancavam o projeto, a MGM e a United Artists, deram para trás. Consideraram o investimento alto demais para a época, e muito arriscado em um período em que o gênero andava fora de moda, na avaliação dos executivos. O livro recém-lançado, intitulado Napoleon, contém todo o processo criativo de Kubrick e sua equipe. Reproduz os detalhes da produção, passo a passo. Lá estão estudos de figurino, correspondência entre o diretor e seus roteiristas, escolha das locações, fotografias, material de pesquisa, esboços de roteiros e o script final escrito com a caligrafia do próprio Kubrick. Além dele, pelo menos outros três cineastas importantes empreenderam projetos megalomaníacos que não saíram do papel. Outros casos famosos envolvem diretores como Orson Welles, que foi a falência tentando levar às telas a história de Don Quixote, de Miguel de Cervantes, e Alfred Hitckcock, que nunca se conformou com o fracasso de seu ambicioso projeto Kaleidoscope, inacabado para sempre.

O artista gráfico Fernando Reza criou pôsteres imaginários para os filmes que prometiam ser obra-primas do cinema mundial e que nunca chegaram às salas de exibição. Welles levou dez anos investindo no personagem pelo qual era apaixonado até abandonar definitivamente a ideia que já lhe custara muitos milhões. Kaleidoscope foi um projeto de Hitchcock apresentado por ele próprio como o filme mais violento já feito. A sua ideia era filmar, com o máximo realismo, os assassinatos de um serial killer. Na cinematografia contemporânea existem alguns fortes candidatos a elefantes brancos da indústria do audiovisual: Megalopolis, de Francis Ford Coppola e Ronnie Rocket, de David Lynch. Eles estão no limbo, mas ainda não estão totalmente descartados.

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