Meirelles diz que Bolsonaro deixa rombo de R$ 400 bilhões para Lula

O ex-ministro afirmou que Jair Bolsonaro deixará um rombo quase três vezes maior do que o estimado pelo atual governo para o governo Lula

Henrique Meirelles, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
Henrique Meirelles, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (Foto: ABR)


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247 - O ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em entrevista à GloboNews, afirmou que Jair Bolsonaro (PL) deixará um rombo no Orçamento quase três vezes maior do que o estimado pela atual gestão para o governo Lula (PT), que inicia em janeiro de 2023. “Na minha avaliação, o tamanho do buraco deixado é mais próximo de R$ 400 bilhões, estimado por entidades independentes, do que dos R$ 150 bi que o governo está falando”, disse.

Ligado ao setor financeiro, Meirelles defendeu “excepcionalidade” para acomodar o Orçamento, criando novas regras fiscais. “Uma reforma administrativa bem feita, por exemplo, fechando estatais que já deixaram de existir há muito tempo. Limpar essas despesas desnecessárias para abrir espaço para investimentos”. “Me perguntaram se o Teto de Gastos estava desmoralizado, eu digo ‘não’. O que está desmoralizado é a presente política fiscal que não seguiu o Teto de Gastos, por isso nós temos um risco Brasil elevado”, emendou.

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Essa, no entanto, não é a política oficial de Lula, que afirmou durante as eleições que pretende acabar com o Teto – criado pelo governo do golpista Michel Temer para iniciar um amplo programa neoliberal, quando Meirelles era seu ministro da Fazenda. A medida determina que o gasto máximo que o governo pode ter é equivalente ao Orçamento do ano anterior, corrigido apenas pela inflação. A regra entrou em vigor em 2017 e tem duração de 20 anos.

Por outro lado, Meirelles disse que o furo no Teto terá que ser adotado em um primeiro momento para que sejam cumpridas promessas de campanha, como o pagamento de Auxílio Brasil de R$ 600, que não estava previsto na proposta de Orçamento enviada por Jair Bolsonaro ao Congresso. "Há uma série de despesas que são necessárias como o Auxílio Brasil de R$ 600 e o auxílio por criança adicional, além de outras coisas, como a recuperação da capacidade de investimento. Mas é importante mencionar que existem despesas que podem ser cortadas e é este o ponto importante", disse Meirelles em entrevista ao UOL.

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Meirelles explicou que algumas medidas podem ser adotadas para que o governo consiga abrir espaço dentro do Orçamento sem furar o Teto de Gastos. "Foi criado lá atrás o trem-bala e existe a despesa criada pela empresa para construir. O trem-bala já é um projeto abandonado há muitos anos. (...) Vi uma lista com 30 ou 40 empresas e muitas com despesas razoáveis, então só fechando essas empresas que perderam a finalidade já abre um espaço grande dentro do Teto", afirmou. "Alguns aperfeiçoamentos depois de alguns anos de teto é importante, mas tem que se abrir espaço cortando despesas", completou o ex-ministro.

Rombo, Orçamento e transição para governo Lula

Falando sobre o início dos trabalhos da equipe de transição para o novo governo Lula (PT), o deputado federal Rui Falcão (PT) afirmou à GloboNews, nesta sexta-feira, 4, que o governo de Jair Bolsonaro (PL) “deixou o País em estado de calamidade pública”. Segundo ele, o governo “aumentou as despesas e reduziu as receitas, deixando um rombo, calculado por baixo, de 350 bilhões de reais, o que equivale mais ou menos a 4% do PIB projetado”.

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Por isso, o petista destacou que o plano de transição precisa fazer frente a “despesas emergenciais”, como a continuidade do Bolsa Família de R$600, acrescido com R$ 150 por filho até seis anos, a Farmácia Popular, recursos para o SUS, entre outros programas de interesse da população mais necessitada. São “despesas críticas”, disse o parlamentar, que “precisam de recursos na peça orçamentária de 2023”.

Neste sentido, o deputado federal reforçou os primeiros contatos com o relator da Comissão Mista de Orçamento (CMO), o senador Marcelo Castro (PSD), e o presidente da CMO, o deputado federal Celso Sabino, além dos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (PSD), respectivamente.

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Quem está estruturando o início dos trabalhos da transição são o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante (PT), que ao Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde será colocada a equipe para levar adiante a transição.

A ideia inicialmente é apontar uma proposta de orçamento, provavelmente uma PEC para que “a gente possa fazer frente a essas despesas emergenciais”, contou Rui, que afirmou que o conteúdo será apresentado para Lula na segunda-feira, 7, para que na terça-feira, 8, ela possa ser apresentada já com os valores propostos.

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