“Mercado” pressiona Lula e dólar fecha em alta, a R$5,40

O chamado “mercado” busca pressionar o governo eleito de Lula contra o aumento de gastos sociais, em meio a discussões sobre PEC da Transição

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(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)


247, com agências internacionais - O dólar avançou frente ao real nesta quinta-feira, 17, e fechou o pregão bem abaixo de picos acima de 5,50 reais durante o dia. A moeda norte-americana à vista subiu 0,45%, a 5,4064 reais na venda, maior cotação para encerramento desde 22 de julho passado (5,4976 reais).

Mais cedo, o dólar chegou a disparar 2,76%, a 5,5308 reais na venda, maior patamar intradiário desde janeiro deste ano, mas foi perdendo fôlego gradativamente ao longo da sessão.

O chamado “mercado” busca pressionar o governo eleito de Lula da Silva (PT) contra o aumento de gastos sociais, isto é, para ajudar a população mais pobre, conforme propõe a PEC da Transição.

Discurso de Lula

Lula se reuniu na COP27 nesta quinta com representantes da sociedade civil e fez críticas ao teto de gastos. Ele afirmou ser necessário manter o olhar para a agenda social, e não só para a fiscal.

"Não adianta ficar pensando só em dado fiscal, mas em responsabilidade social. Vai aumentar o dólar, cair a bolsa? Paciência. O dólar não cai por conta de pessoas sérias, mas dos especuladores".

"O que é o teto de gastos? Se fosse para discutir que não vamos pagar a quantidade de juros do sistema financeiro que pagamos todo ano, mas mantivéssemos os benefícios, tudo bem. Mas não, tudo o que acontece é tirar dinheiro da educação, da cultura. Tentam desmontar tudo aquilo que é da área social", completou.

Lula finalizou o discurso sob aplausos e coros de "o Brasil voltou". 

Os economistas Pedro Malan, Armínio Fraga e Edmar Bacha, que estão entre os criadores do Plano Real e que apoiaram a eleição do petista, criticaram a declaração do presidente eleito sobre a subida do dólar, em meio às negociações da PEC da Transição. São economistas alinhados ao capital financeiro.

O ex-ministro Guido Mantega, atacado constantemente pelo “mercado”, comunicou nesta quinta sua renúncia à equipe de transição de Lula. Em carta ao vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), o ex-titular da Fazenda afirmou que adversários têm o objetivo "tumultuar" e "criar dificuldades para o novo governo".

*Com informações da Reuters

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