Diabetes. Como evitar essa moléstia insidiosa

Os primeiros sinais devem ser levados a sério e serem acompanhados por uma melhoria no estilo de vida, explica em entrevista o Prof. Claude Jaffiol, especialista em diabetes e membro da Academia nacional de medicina da França.

 

 

Por Claude Jaffiol - Le Figaro

 

Galeno, que descreveu o diabetes como uma «doença quente e úmida» no início de nossa era, só teria encontrado dois casos na sua vida… Vinte séculos mais tarde, é um verdadeiro flagelo. Se nada for feito para pará-lo, na França como no mundo todo, diabético irá rimar com epidêmico. Já existem 150 milhões de diabéticos no Mundo; eles serão 300 milhões em 2025. No território francês, passaremos de 2 a mais de 3 milhões durante o mesmo período, incluindo 90% de diabéticos do tipo 2 (DT2), ou diabetes «gordo», que é preciso distinguir do diabetes «magro», do tipo 1, doença da infância e da adolescência devida à falta de secreção da insulina pelo pâncreas, ao passo que devido à idade e sobretudo ao excesso de peso e um estilo de vida pouco saudável, o DT2 ocorre quando o organismo se tornou resistente à insulina e no entanto continua a secretar pelo pâncreas. Cada vez mais sedentários e cada vez menos atentos à qualidade de nossa alimentação, caimos todos na armadilha do diabetes… E isso custa caro, uma vez que nos países desenvolvidos como a França , entre 4 e 6% do orçamento da saúde é gasto nele e lhe devemos 15 % dos infartos, angioplastias e pontes de safena, 20% das diálises renais, 500 a 1 000 cegueiras e 8 500 amputações por ano.

 

 

Todos os dias, cerca de 400 novos pacientes franceses são diagnosticados, mas a maioria é detectada tardiamente, pois o diabetes do tipo 2 é uma doença que progride silenciosamente, sem dores e nem sintomas aparentes. Quando as complicações surgem, já é tarde demais, pois elas são irreversíveis, reduzindo a expectativa de vida e criando várias desvantagens: as amputações são dez vezes mais frequentes em diabéticos e o diabetes é a primeira causa de cegueira, de insuficiência renal e de AVC. Mas regras simples de estilo de vida teriam sido suficientes se tivessem sido observadas em tempo para parar a espiral da cronicidade, com seus riscos e limitações de vida.

Tabagismo, genética, obesidade

Alguns sinais são inconfundíveis; mas é preciso reconhecê-los para ser alertado e agir o mais rapidamente possível para obter melhores resultados. Os dois mais importantes são os mais fáceis de detectar: ter diabéticos na sua família e/ou uma tendência marcada para ganho de barriga. Sabendo que a circunferência da cintura não deve ultrapassar 80 cm na mulher e 94 cm no homem, basta uma fita métrica para estar informado! Um ganho de peso excessivo durante a gravidez, antecedentes de diabetes gestacional e uma criança com mais de 4 kg no nascimento devem também servir de alerta, bem como ataques repentinos de sonolência e até de verdadeiros desconfortos entre as refeições, que indicam uma hipoglicemia causada por uma diminuição da taxa de glicose no sangue, como resultado da desregulação da secreção da insulina pelo pâncreas. As apnéias do sono são frequentemente associadas ao diabetes e à obesidade, sem esquecer que o risco é sempre aumentado pelo fumo. Finalmente, certos grupos étnicos, são particularmente suscetíveis devido a fatores genéticos, mas também a maus hábitos de vida, especialmente alimentares, que deploramos cada vez mais por causa da precariedade aumentada em certas populações, nos jovens, especialmente. No entanto, na ausência de anomalia genética dominante reconhecida no diabetes do tipo 2, o diagnóstico não poderia ser baseado em um teste de rastreamento genético.

 

 

Indolor e confiável em 90%, a medição da glicose sanguínea é um exame extremamente simples, a partir de uma gota de sangue coletada na ponta do dedo. Uma glicemia superior a 1,25g/l confirma o diabetes e revela um estado pré-diabético quando está situada entre 1g/l e 1,25g/l. Exames laboratoriais mais completos poderão melhorar o diagnóstico. Recomenda-se realizar este teste o mais rapidamente possível em todos os pacientes apresentando fatores de risco e sistematicamente após os 45 anos de idade. O diagnóstico precoce é o melhor trunfo para manter em longo prazo o benefício das medidas de higiene e dietéticas.

Um problema social

Prevenir o diabetes é antes de tudo perder peso e mudar o estilo de vida, ao custo de um rompimento com a rotina diária, familiar e cultural, enquanto a saúde passa muitas vezes após outras preocupações mais materiais e urgentes. Mas nada serve proibir e estabelecer regras abstratas sem que a pessoa encontre prazer do ponto de vista pessoal, financeiro e social. Por exemplo, em vez de falar de dieta, de recondicionamento alimentar, essencial na prevenção do diabetes, em vez disso, ele deve se basear na explicação de regras dietéticas moduláveis e concebidas no longo prazo, tendo em conta a escolha dos alimentos, é claro, mas também do fracionamento das refeições em horários regulares, em uma atmosfera calma e se possível, amigável sem contar o sono que deve ser suficiente e o exercício físico regular. É uma questão de educação, mas também de facilitação, por um acompanhamento e meios adequados cuja responsabilidade é dos profissionais da saúde, mas também dos voluntários e, sobretudo da coletividade nacional.

 

Nutrição adequada para o diabetes.

Nutrição adequada para o diabetes.

 

Inúmeros pré-diabéticos são inconscientes. No entanto, mediante a condição de estar informados e tratados, a maioria poderia não ultrapassar o estágio do pré-diabetes, apenas com um estilo de vida melhor, mais eficaz e menos oneroso em longo prazo que a ingestão de antidiabéticos orais, de hipolipemiantes ou de anti-hipertensivos, sem riscos de efeitos colaterais, como confirmado em diversos estudos internacionais. Prevenir o diabetes é sobretudo pensar na doença como um problema social. Não vamos transformar nossos jovens em novos Índios Pima, todos diabéticos por terem passado, em cinquenta anos apenas na América, do estágio tribal ao fast-food, uma vez que sabemos que a sedentariedade, os refrigerantes e as bebidas alcóolicas, o vício do tabaco, beliscar comidas e o excesso de consumo de gordura em comidas prontas levam à chegada do diabetes.

 

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