Mineradora Samarco ampliou produção sem reforçar barragem

Dados do Relatório Anual de Sustentabilidade do ano passado, divulgado no site da mineradora Samarco, responsável pelas duas barragens de rejeitos que se romperam, em Mariana (MG), apontou que a produção aumentou em 9,5 milhões de toneladas ao ano, em 2014, a capacidade de produção de minério de ferro em sua unidade industrial na região; como consequência, cresceu o volume de rejeitos depositados nas barragens rompidas; cada tonelada de minério processado gera volume quase igual de rejeitos; o documento, no entanto, não faz menção a aumento na capacidade desses reservatórios

Torrente de lama de barragens da Samarco destrói distrito de Bento Rodrigues (MG).
Torrente de lama de barragens da Samarco destrói distrito de Bento Rodrigues (MG). (Foto: Leonardo Lucena)

Minas 247 – Dados do Relatório Anual de Sustentabilidade 2014, divulgado no site da mineradora Samarco, responsável pelas barragens de rejeitos que romperam quinta-feira (5), em Mariana (MG), apontou que a produção aumentou em 9,5 milhões de toneladas ao ano, em 2014, a capacidade de produção de minério de ferro em sua unidade industrial na região. Como consequência, cresceu o volume de rejeitos depositados nas barragens rompidas. Cada tonelada de minério processado gera volume quase igual de rejeitos. O documento, no entanto, não faz menção a aumento na capacidade desses reservatórios.

No ano passado, a produção foi de 25 milhões de toneladas, 15% a mais que no ano anterior. O volume maior de rejeitos chegou a quase três milhões de toneladas, atingindo no ano um total de 21,9 milhões de toneladas de materiais arenosos e lamas, resultantes do beneficiamento do minério de ferro.

A Samarco também aumentou a capacidade do mineroduto. As três linhas de dutos somam 400 quilômetros cada e passam por 25 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo. O minério viaja a uma velocidade de 6 km por hora.

A mineradora é a décima maior exportadora brasileira, com um faturamento bruto de R$ 7,6 bilhões em 2014. No relatório, a Samarco disse ter investido, no ano passado, R$ 88,3 milhões na gestão de riscos ambientais, além de R$ 80 milhões nos últimos anos, com o objetivo de aumentar a segurança nas atividades de maior risco, incluindo as barragens de rejeitos.

A empresa também informou dispor de um Plano de Ações Emergenciais (PAE) das barragens que foi imediatamente acionado após o rompimento de uma das barragens. Em 2014, aplicou um total de 1.356 horas de treinamentos com os funcionários envolvidos nessas atividades.

Um estudo feito em 2013 pelo Instituto Prístino, instituição particular sem fins lucrativos, a pedido do MP-MG, alertou para o risco de rompimento das barragens Fundão e Santarém, na mineradora Samarco, em Mariana (MG).

"Com a evolução da saturação por causa do fluxo natural das águas superficiais resultantes da precipitação atmosférica (chuva), a zona acima do nível de equilíbrio hidrostático ficaria saturada. Tal situação ocasionaria a ressurgência de água nas faces dos taludes da pilha de estéril e a possibilidade de desestabilização da face do talude, resultando em colapso", diz o texto (leia mais aqui).

Por conta da tragédia, 28 pessoas continuam desaparecidas, segundo a Prefeitura de Mariana. Duas mortes foram confirmadas. De acordo com a Samarco, 557 desabrigados estão hospedados em hotéis com custos pagos pela empresa.

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