Indigenista diz que teria mesmo destino de Bruno Pereira se ficasse no Brasil

Ricardo Henrique Rao, 51 anos, deixou o País em 2019 após denunciar o envolvimento de policiais em crimes contra povos indígenas e foi morar na Europa

Indigenista Ricardo Henrique Rao
Indigenista Ricardo Henrique Rao (Foto: Arquivo Pessoal)


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247 - O indigenista Ricardo Henrique Rao, 51 anos, afirmou que, se continuasse no Brasil, teria o mesmo destino do indigenista Bruno Pereira, assassinado em junho no Vale do Javari (AM). Rao deixou o País em 2019 após denunciar o envolvimento de policiais em crimes contra povos indígenas e foi morar em Roma, na Itália. As declarações foram publicadas nesta terça-feira (2) pelo jornal Folha de S.Paulo

"Nós entramos juntos na Funai", disse Rao sobre o indigenista morto na Amazônia. "Era um homem bom. Desde o primeiro momento deu para ver que ele tinha um interesse e uma dedicação que ia muito além de ter só um cargo público", acrescentou. 

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O indigenista sofreu um infarto há cerca de uma semana após o embate com o antigo chefe. Rao disse que o problema cardíaco foi consequência do estresse causado pelas ameaças contra sua mulher e seu filho de 4 anos. Ele foi responsável pelo protesto que fez o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier, abandonar um evento em Madri, na Espanha, no mês de julho.

"Estou brigando para que minha mulher e meu filho saiam do Brasil o quanto antes. Já começaram nos insultos, o discurso de ódio", afirmou Rao, que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Roma, cidade onde mora desde março. Ele vive atualmente em um prédio ocupado por uma organização de sem-teto.

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O indigenista foi demitido da fundação em novembro de 2020, em decisão assinada por Xavier. O ex-servidor disse que pode voltar ao cargo em caso de vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de outubro. 

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Por meio de sua assessoria, a Funai defendeu a legalidade da exoneração, afirmando que ela aconteceu em "razão de inabilitação em estágio probatório". "Todos os trâmites administrativos seguiram o devido processo legal e contaram com ciência de Rao", complementou. 

Em nota, a Secretaria dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) do Maranhão afirmou que só tomou conhecimento dos fatos relatados por Rao "no dia 22 de julho de 2022, por meio de comunicação oficial da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados". A entidade afirmou que, desde então, "estão sendo tomadas todas as medidas cabíveis e emergenciais em relação ao caso, encaminhando a demanda para a SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública) e acompanhando os desdobramentos, por meio da Secretaria Adjunta dos Povos Indígenas e da superintendência de Combate à Violência Institucional".

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