"Vamos desaparecer": aquecimento global ameaça existência de beduínos no Iraque

A mudança radical no clima da região já pode ser sentida nos centros urbanos, frequentemente tomados por tempestades de areia. No entanto, é no deserto onde os beduínos vivem que até mesmo ligeiras alterações podem constituir uma ameaça existencial

(Foto: Reprodução/Al Jazeera)
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247 - O aquecimento global atinge fortemente os países do Oriente Médio e em especial o Iraque, onde comunidades beduínas veem seu modo de vida milenar em risco diante do aumento drástico nas temperaturas.

Estudos mostram que as temperaturas no Iraque devem aumentar de duas a sete vezes mais rapidamente que no resto do mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) projeta redução de 9% na quantidade de chuvas próximos trinta anos.

A mudança radical no clima da região já pode ser sentida nos centros urbanos, frequentemente tomados por tempestades de areia. No entanto, é no deserto onde os beduínos vivem que até mesmo ligeiras alterações podem constituir uma ameaça existencial. É o que mostra reportagem especial da Al Jazeera.

"Não há chuva e a terra está seca. A grama se transformou em deserto. Temos que vender alguns animais para comprar comida para o resto. Isso é o que a vida se tornou", disse Thajeel, com seu keffiyeh apertado sobre o rosto para protegê-lo do ar seco e empoeirado.

No passado, dizem os mais velhos, os beduínos se reuniam em grupos pequenos e temporários, mas, com a densidade da vegetação reduzida drasticamente e as famílias precisando de cada vez mais terra, eles são obrigados a viver cada vez mais distantes uns dos outros. 

"As pessoas brigam por grama, lutando entre si", disse Rahi Khamis, que mantém um rebanho de 200 ovelhas. "No passado, não havia problemas. Seu vizinho era como seu irmão."

No ano passado, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP, na sigla em inglês) iniciou trabalhos com o governo iraquiano para avaliar como comunidades minoritárias são afetadas pelo aquecimento global. No entanto, diz a reportagem, os beduínos, em sua tradicional reclusão, não esperam assistência governamental.

"Ninguém do governo está ajudando. Dependemos apenas de nós mesmos", disse Kadhum Adshaan. "Os beduínos vão desaparecer e todos os animais vão desaparecer porque ninguém está ajudando.

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