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França quer conduzir as compras da Air France

Em nome do patriotismo, deputados pressionam o grupo francs a priorizar a Airbus no lugar da Boeing; Estado possui quase 16% do capital da companhia

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Roberta Namour, correspondente de Brasil 247 em Paris _ ”Quando os americanos compram americano, os europeus devem comprar europeu” Seguindo o tom de Bernard Carayon, mais de cem outros deputados franceses se uniram para “convidar energicamente” a Air France a escolher a Airbus, no lugar da Boeing, para a compra de seus futuros aviões birreatores. Vale lembrar que o Estado é acionista das duas companhias francesas. Há um ano, o grupo Air France-KLM anunciou a intenção de renovar uma parte de sua frota, encomendando uma centena de aeronaves. “Nós estamos atentos para que a indústria francesa seja levada em conta nessa negociação”, disse o secretário dos Transportes, Thierry Mariani.

Desde o anúncio do déficit comercial catastrófico francês em abril, - 7,1 bilhões de euros frente os seis bilhões de euros nos três meses precedentes – os deputados não têm outra palavra na ponta da língua a não ser “patriotismo”. O saldo registrado pode ser explicado, em parte, pela queda das exportações (-2%) e da alta das importações (+1,4%). A Air France engorda essa estatística.

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Mas o principal argumento usado para convencer o grupo a priorizar a Airbus não tem fundamento. Dizer que a United Airlines não adquiriu nenhum birreator Airbus é mentira. Apesar de sua frota ser composta apenas de Boeing nesse momento, a companhia americana encomendou 25 unidades do A350 e o mesmo número de 787, da concorrente americana. O remetente da carta aberta à Air France, Bernard Carayon, esqueceu igualmente de incluir a Delta Airlines. Em mais de 150 aviões da categoria, 30 são Airbus A330 – o que representa 20% do total. A única 100% nacionalista é a American Airlines. Quanto as companhias europeias, apesar de a alemã Lufthansa ser composta de 70% de aviões europeus, ela encomendou 20 unidades de Boeing 747-8i e apenas oito Airbus A380.

De fato a Air France mantém uma relação privilegiada com a Boeing. Sua frota de birreatores é formada por 70% de aviões americanos. É natural que uma companhia aérea nacional do Estado seja forçada a favorecer um construtor local. Mas neste caso, o governo possui menos de 16% de suas ações. Os deputados que votaram pela sua privatização, e por tanto, por sua dependência pública, querem agora sugerir « fortemente » a escolha de um parceiro francês. Basta saber como o grupo franco-holandês vai reagir nesse caso.

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A França é o único país europeu que possui apenas uma companhia aérea de grande porte. A Alemanha tem a Lufthansa e a Air Berlin e o Reino Unido conta com a Virgin Atlantic, easyJet e British Airways. Já a Espanha possui Iberia e Vueling, e a Irlanda, a Ryanair e a Aer Lingus. Se nenhum concorrente apareceu até agora é porque a empresa não é totalmente independente do Estado. É também por isso que os deputados se sentem no direito de fazer exigências à francesa. Mais uma vez, para proteger seus interesses, o governo quebra todos os códigos de ética e se envolve nas decisões de suas empresas privadas. Dessa vez, porém, a outra parte holandesa pode frear suas ambições.

 

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