O que você tem a ver com a corrupção

A corrupção somente se alastra pela falta de controle social sobre os gestores da coisa pública

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É de conhecimento geral a campanha promovida pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP) cujo mote é "o que você tem a ver com a corrupção?". O mote é instigante e remete ao que pode fazer o cidadão para colaborar com a redução dos números relativos à corrupção no Brasil.

Geralmente, a primeira idéia que surge quando se pensa em corrupção tem a ver com algemas, processos criminais, juízes, habeas corpus etc. Mas esses são aspectos relativos à repressão à corrupção, que é, sem dúvida, importante. Mas importante também é a prevenção, que se materializa no controle social. E controle social é voto consciente e, principalmente, participação na vida política.

Passei muitos anos da minha vida trabalhando no Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios, e por força desse trabalho me deparei com situações muito tristes, de vidas perdidas e de vidas se perdendo. Todavia, ao ingressar na política – e o fiz por amor à causa e pela vontade de modificar a vida dos meus concidadãos – convivi com situações que não diria piores – até por respeito aos familiares das vítimas da criminalidade – mas que de forma alguma podem ser consideradas menos graves, porque a corrupção provoca uma morte lenta, disfarçada e, pior, atinge uma imensa quantidade de pessoas, normalmente as menos favorecidas e mais indefesas. Nada pode ser mais socialmente destruidor do que a corrupção na política.

Pode parecer trivial (e de fato o é), mas a corrupção somente se alastra pela falta de controle social sobre os gestores da coisa pública. E, como enfatizei, controle social traduz-se em voto consciente e participação na vida política.

Votar conscientemente é não apenas conhecer de forma pormenorizada a história e os projetos dos candidatos, mas principalmente compreender que cada voto é importante, faz muita diferença e torna o eleitor o protagonista da democracia. Somente com essa idéia fica afastada a errônea percepção de que a política é "dos outros".

A compreensão de que a política é assunto de todos leva necessariamente à participação na vida política. E essa participação se faz na forma de acompanhamento constante da conduta dos seus mandatários e na formulação de sugestões para a realização de novas leis ou aprimoramento das leis existentes. O que se traduz, ao fim, em controle social sobre os gestores da coisa pública e sobre os mandatários políticos.

* Chico Leite é promotor de Justiça licenciado, professor de Direito e deputado distrital

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