"Sai daí, Palocci, antes que faça ré uma mulher inocente"

Não há escolha, Dilma: ou o chefe da Casa Civil cai ou seu governo terá acabado

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Quem não se lembra da frase clássica de Roberto Jefferson? “Sai daí, Zé, antes que faça réu um homem inocente”. Dois dias depois, o todo-poderoso José Dirceu, “capitão do time” e homem forte do governo Lula, estava fora da Casa Civil. A primeira crise aguda da era Lula demorou dois anos e meio para acontecer. A de Dilma chegou bem mais cedo – antes do primeiro semestre. E aquela mesma frase do passado hoje cai como uma luva para o atual chefe da Casa Civil. Senão, vejamos:

• Pode uma pessoa ser ao mesmo tempo deputado federal (representante de interesses coletivos), consultor de empresas (representante de interesses privados) e conselheiro de governos ou arrecadador de campanha (homem influente, portanto)? A resposta é não. Se é legal, como dizem os defensores de Palocci, Roberto Carlos responderia afirmando que ou é imoral ou engorda (o patrimônio).

• Pode uma empresa praticamente de fachada, como era a Projeto, de Palocci, arrecadar cerca de R$ 10 milhões entre o segundo turno das eleições presidenciais e a posse da presidente Dilma, como revela a Folha de S. Paulo deste sábado? A resposta é também não. O que seria isso? Sobra de campanha? Comissão pela arrecadação diante do grande empresariado? Seja o que for, é também “ilegal, imoral ou engorda”.

Mas o que vai selar a queda de Antonio Palocci não é nada disso. É algo ligado à essência do poder em todos os governos, desde os primórdios da humanidade. Neste fim de semana, interesses gigantescos e inconfessáveis se moveram pela sua defesa. Como pode um ministro, com tantas fragilidades, se mostrar tão forte e tão poderoso? Quais terão sido as forças que impediram grupos de mídia poderosos, supostamente “golpistas” durante a campanha de 2010, de se aprofundar no caso? É a força do grande capital? O medo de que sindicalistas e radicais do PT se infiltrem no governo Dilma? Pode ser o que for, mas o fato é que a permanência de Palocci em Brasília transforma Dilma num poste. Faz da Casa Civil uma instância de poder mais forte do que a própria presidência da República.

Há ainda outro ponto. Existe uma regra não escrita na política que diz que o dinheiro das campanhas deve se destinar, essencialmente, a fins políticos – e não particulares (ainda que a tentação seja grande e que todos sempre cedam a ela). Mas ao comprar um apartamento de R$ 6,6 milhões, Palocci demonstra que está mais para Silvinho “Land Rover” Pereira do que para Delúbio Soares – hoje quase um herói do PT.

Portanto, presidente Dilma, não há escolha: ou Palocci sai rápido daí ou seu governo terá acabado muito prematuramente. A senhora não necessita mais de fiadores, tutores ou primeiros-ministros.

Liberte-se.

Emancipe-se.

Antes que seja tarde.

E lembre-se da bandeira mineira.

Libertas quae sera tamen.

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