Pré-candidata do PT à Prefeitura de Salvador, Vilma Reis intensifica defesa de pautas da esquerda e realização de prévias

Além de figuras políticas, socióloga tem recebido apoio de diferentes setores da sociedade, como da escritora Conceição Evaristo e da cantora Luedji Luna

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A socióloga Vilma Reis, primeira a lançar seu nome como pré-candidata do Partido dos Trabalhadores à Prefeitura de Salvador, em 02 de julho de 2019, dentro das celebrações da maior data cívica da Bahia, mantém firme sua intenção de disputar o poder executivo da cidade mais negra do Brasil. “Temos profundo respeito às lideranças do nosso partido, como o governador Rui Costa e o senador Jaques Wagner, mas não é a posição de uma ou duas lideranças que vai definir quem será o candidato. Tem que ser uma decisão das instâncias partidárias, da base deste partido, que é comprometido com os valores democráticos”, defende Vilma Reis.

Com mais de três décadas dedicadas à militância no movimento de mulheres negras, tendo sido ouvidora geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, por dois mandatos (2015-2019), Vilma Reis defende bandeiras tradicionais da esquerda, no Brasil e no mundo, como a luta pelos Direitos Humanos. “Nós entendemos que depois do brutal assassinato da nossa irmã Marielle Franco, em pleno exercício do seu mandato, a maior resposta que esse País pode ter, é a eleição de mulheres negras de Esquerda. Mulheres aguerridas e que se posicionam pelo fim do encarceramento, pelo abolicionismo penal e contra o horror da guerra às drogas”, afirma Vilma Reis. 

Com o slogan #AgoraÉEla, Vilma Reis tornou-se a principal referência de um movimento que ocupou o espaço central da cena política de Salvador: a necessidade de Salvador ser governada por uma pessoa negra, eleita democraticamente pela sua população, cujos dados recentes (2018) registraram mais de 80% de pretos e pardos.   “Resolvemos interromper a hegemonia do patriarcado branco e colonial nesta cidade. É absurdo que, em mais de 470 anos, Salvador nunca tenha tido um prefeito negro ou prefeita negra, eleito pelo seu povo. Nem países como África do Sul e Estados Unidos, com regimes segregacionistas severos, possuem essa marca de exclusão na política. A África do Sul instituiu o apartheid em 1948 e, já em 1994, elegeu Mandela presidente. Os Estados Unidos elegeram Barack Obama, em 2008. E Salvador, a maior cidade negra fora da África, continua marcada por essa vergonha. É um escândalo mundial”, pontua.   

A disputa pela Prefeitura de Salvador ganhou repercussão nacional, provocando o debate sobre candidaturas negras em outras cidades do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. “Será aqui em Salvador, na cidade hoje comandada pelo presidente do partido que representa os interesses da direita conservadora, será nesta cidade que garantiremos a maior vitória para a Esquerda no Brasil, em 2020”, acredita Vilma Reis.  

Manifestações de apoio

Vilma Reis é filiada ao Partido dos Trabalhadores desde 2007 e, desde que lançou sua pré-candidatura, vem mantendo intenso diálogo com as diferentes tendências internas que formam o partido, ganhando o apoio de importantes lideranças petistas, como o ex-deputado Luiz Alberto, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli e as deputadas Benedita da Silva (RJ) e Iriny Lopes (MG), as ex-ministras Eleonora Menicucci e Nilma Lino Gomes, a secretária Nacional de Mulheres da CUT, Junéia Batista, além de personalidades nacionais como a filósofa Djamila Ribeiro, as ativistas Sueli Carneiro (Geledés), Lúcia Xavier (Crioula) e Dulce Pereira (MNU), a cantora Luedji Luna e a escritora Conceição Evaristo. 

Um manifesto em defesa da candidatura de Vilma Reis e pela realização de prévias para a escolha do candidato do partido já recebeu assinaturas de mais de 300 filiados e outros 2000 apoiadores externos. 

“Nosso projeto veio das ruas e das bases dos movimentos sociais, com profundo respeito à militância petista. Defendemos que a decisão pela candidatura do PT seja feita de forma democrática pelos filiados e filiadas deste Partido, que é programático e é comprometido com as bandeiras da Esquerda. Defendemos as prévias. Se não há consenso, precisamos realizar as prévias”, defende Vilma Reis. 

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