"Marielle vive", diz sua mãe, Marinete, no desfile da Portela

Escola emocionou o público com o desfile baseado no enredo "Um defeito de cor"

Marinete, mãe de Marielle
Marinete, mãe de Marielle (Foto: Reprodução X)


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247 – A segunda escola a desfilar na Sapucaí neste segundo dia do Grupo Especial, a Portela, apresentou um desfile emocionante, trazendo para a Avenida o enredo "Um defeito de cor", baseado no livro da autora mineira Ana Maria Gonçalves, que retrata uma obra baseada na vida de Luísa Mahin, figura importante na história brasileira. Além do enredo, a agremiação se destacou pela beleza alegórica. Num dos carros alegóricos, Marinete Silva, mãe de Marielle Franco, desfilou com o cartaz "Marielle Vive".

No trecho do samba-enredo da Portela, Luís Gama, famoso advogado e abolicionista do século 19, celebra a história de luta da mãe. Africana escravizada ainda criança e trazida para o Brasil, Kehinde comprou a própria liberdade e participou de revoltas que deixaram um legado importante para o povo negro.

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O desfile da escola carioca na Sapucaí traz uma nova perspectiva do romance "Um defeito de cor", de Ana Maria Gonçalves, lançado em 2006, e que também dá nome ao samba-enredo. No livro, a mãe escreve uma carta para o filho que está perdido há décadas. O samba traz a resposta emocionada do filho. Uma história aprovada e elogiada pela escritora.

“Eu achei muito bonito. O samba-enredo não é exatamente uma adaptação do livro. É uma conversa com a história que está sendo contada no livro, adaptada para uma realidade que a gente vive no país até hoje. Vai ser uma grande homenagem às mães negras, principalmente àquelas que, por vários motivos, não puderam criar seus filhos. Algo que a gente vê desde a escravidão”, disse Ana Maria Gonçalves, em entrevista à Agência Brasil.

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No romance, Kehinde, que assume o nome Luísa no Brasil, vive e testemunha experiências extremas de sequestro, escravidão, violência, estupros e mortes. Consegue voltar para a África em determinado momento da vida, mas nunca esquece do filho, vendido como escravo, de quem não tem mais notícias. Já idosa, cega e à beira da morte, decide voltar para o Brasil para encontrá-lo.

Segundo a autora, levar parte dessa história para a Sapucaí é uma oportunidade de apresentar novos olhares e narrativas sobre a história da população negra no país.

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“A maioria dos carnavalescos é branca. E ao falarem da história do povo negro no Brasil, muitos acabavam apresentando questões muito estereotipadas. Eu, como mulher negra, estava extremamente cansada de ver apenas sofrimento na avenida. Ao se falar de escravidão ou de negro, só a parte ruim se destacava. Era navio negreiro, chicotada, castigo. E a gente tem muito mais a apresentar e a falar da nossa história”, defende Ana Maria.

“É muito importante 'Um defeito de cor' estar na avenida através da Portela, a escola mais antiga, a mãe de todas as escolas de samba, com dois carnavalescos negros que sabem do que estão falando. Torço para que tenha um grande sucesso e a gente possa contar cada vez mais com essa união de literatura e escola de samba nos próximos anos”, complementa a escritora. Confira algumas repercussões do desfile:

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