Traumas no tornozelo: conheça os principais problemas dos jogadores de futebol

Na estreia da Copa do Mundo, Neymar saiu do campo com dor após torção no tornozelo direito; veja quais são as lesões mais importantes em atletas

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(Foto: REUTERS/Molly Darlington)


Por Agência Einstein  - Apesar da estreia do Brasil com vitória contra Sérvia na Copa do Mundo no Catar, uma cena causou preocupação nos torcedores que assistiam à partida: Neymar, camisa 10, saiu do campo com uma expressão de dor nesta quinta-feira (24). Segundo o médico Rodrigo Lasmar, responsável pela seleção, o atacante torceu o tornozelo direito e será reavaliado nesta sexta-feira (25).  

Mas, o que é uma torção? Quais são as lesões mais comuns em jogadores de futebol? Entenda com informações do médico Marcelo Pires Prado, ortopedista do Hospital Israelita Albert Einstein: 

O que é e como é formado o tornozelo? 

O tornozelo é uma articulação formada entre os dois ossos da perna, que é a tíbia e a fíbula. 

Esses dois ossos formam uma espécie de pinça que segura um osso mais abaixo, que se chama talus. Assim, o tornozelo tem um movimento de dobradiça: ele vai pra frente e pra trás.  

Além disso, existem outros movimentos que acontecem no pé como um todo, que vão ocorrer nas outras articulações que ficam embaixo do tornozelo.  

Quais são os traumas mais frequentes no tornozelo? 

O tornozelo é, de longe, a articulação mais acometida por traumas.  

O tipo mais frequente, que é o que provoca uma lesão, é a entorse, ou torção, que ocorre quando o pé faz movimentos anormais. Ela ocorre quando a pessoa pisa em um lugar irregular e faz um movimento de mudança de direção, como quando o pé vira pra dentro.  

De acordo com Prado, quando esse trauma acontece, na absurda maioria das vezes, são lesões ligamentares: ocorrem nas estruturas que ligam um osso no outro e que tentam limitar a mobilidade de todas as articulações.  

"Esse mecanismo de trauma é responsável por alguns tipos de lesão. Entre elas, são as lesões ligamentares. Os ligamentos limitam a mobilidade articular. Quando nós machucamos o ligamento, nós temos situações diferentes... temos uma lesãozinha ligamentar que o cara tem uma dorzinha e tudo bem, não muda muito a vida. E existem mais graves, que exigem mais cuidado", explica. 

De acordo com o especialista, são casos mais graves: 

  • Lesões ligamentares parciais: rasgam uma parte do ligamento, mas a articulação continua estável.  
  • Lesões completas: são mais importantes porque a articulação passa a ter movimentos anormais.  
  • Fraturas: quando, no mecanismo do trauma, o osso perde a integridade. O pé tem dois ossinhos que seguram um osso dentro do tornozelo. Quando ocorre um trauma grande o suficiente para romper esses ossos, há a fratura do tornozelo.  
  • Luxação: quando a articulação sai do lugar. Para isso, é preciso ter uma lesão ligamentar superextensa e supergrave. De acordo com Prado, "é muito raro ter luxação do tornozelo porque é uma articulação que tem uma contenção óssea muito grande". No entanto, ele alerta que, quando um atleta tem esse tipo de problema em uma competição curta, "vai ter problema para conseguir voltar".  

Quais outros tipos de lesão podem acometer o tornozelo? 

Existem, ainda, as lesões que afetam os tendões que passam ao redor do tornozelo. O médico especialista explica que é possível que uma fratura seja associada ao trauma. Ou, ainda, há chance de lesões que acometem a parte interna do tornozelo, a cartilagem articular.  

Além disso, existe as inflamações: a tendinite, por exemplo, que pode ocorrer em qualquer tendão. 

"Temos vários tendões que cruzam o tornozelo e que ajudam ele a funcionar do jeito que deve. Os tendões comunicam os músculos a algum lugar, como um osso. Temos um tendão que fica lá na perna que puxa o dedão do pé pra cima, outro que puxa o pé pra dentro. São vários", explica o ortopedista.  

"O tendão é um tecido muito especializado, é um tecido fibroso muito denso e superfirme que aguenta o repuxo, o músculo puxa e ele tem que mexer lá a ponta do pé. Esse tecido, frente a um processo inflamatório crônico, pode evoluir com a formação de áreas de lesão lá dentro, de alteração lá dentro e substituição por tecido fibroso, que não tem a mesma qualidade do tecido tendíneo, nem mesmo resistência. E aí começam os problemas", complementa.

VÍDEO: confira o vídeo com a entrevista no Youtube do Einstein

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