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Ricardo Berzoini

Foi ministro da Previdência, das Comunicações e da Articulação Política. Aposentado do Banco do Brasil, ex-deputado federal

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A coragem de Lula e o desafio à comunidade internacional

Quem ficou isolado nessa história? Primeiro, o governo de Israel. Segundo, a grande mídia brasileira desnorteada pela bem-sucedida política externa de Lula

Lula e os conflitos entre Israel e Palestina (Foto: Reuters)
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A anunciada invasão por terra de Rafah – uma cidade no extremo sul de Gaza, mais distante de onde começou a invasão de Israel – encarna a dinâmica brutal do genocídio. A pretexto de uma operação militar contra o Hamas, o que o governo de extrema direita de Israel provoca é morte, fome e humilhação de milhares de civis em Gaza.

A crise humanitária é clara, um filme de terror que é transmitido dia após dia em rede planetária. Durante a invasão de Gaza, que durou quatro meses, Israel matou mais de 29 mil pessoas, grande parte delas crianças. O número de civis, em percentagem da população, está entre os mais elevados de qualquer guerra moderna. O uso generalizado de armas potentes por Israel em áreas urbanas densas, incluindo bombas fabricadas nos EUA que podem destruir uma torre de apartamentos, é surpreendente, dizem alguns especialistas. “Isso vai além de tudo que já vi em minha carreira”, disse Marc Garlasco, conselheiro militar da organização holandesa PAX e ex-analista sênior de inteligência do Pentágono. Para encontrar uma comparação histórica para tantas bombas grandes numa área tão pequena, disse ele, “talvez tenhamos de voltar ao Vietnã ou a batalhas travadas na Segunda Guerra Mundial”.

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Muitos milhares de habitantes de Gaza fugiram das suas casas e lutam para encontrar comida. Mas, óbvio, muito antes de encontrar comida, os palestinos precisam sobreviver aos bombardeios disparados pelas forças israelenses. Um ataque a Rafah, que se tornou um refúgio para mais de metade da população de Gaza, agravaria a mortandade, a miséria.

Nesse contexto, vimos no domingo (18), Lula comparar ações de Israel em Gaza ao extermínio de judeus na Segunda Guerra Mundial, promovido pela Alemanha nazista. "Não perdoaremos e não esqueceremos — em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao Presidente Lula que ele é uma 'persona non grata' em Israel até que ele peça desculpas e se retrate", escreveu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, em suas redes sociais.

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A declaração de Lula, desnudou por inteiro a hipocrisia mundial diante da brutalidade de Israel na Faixa de Gaza.

Grande parte do mundo, em especial, dezenas de países ocidentais, dentre eles os mais desenvolvidos, além de praticamente todos os governantes, vêm se comportando de maneira equivalente àquela que permitiu o holocausto. Lula rompeu o círculo da tolerância. E trincou a redoma do silêncio, atuando como a pedra pontiaguda atirada no lago a ameaçar a zona de conforto dos omissos e hipócritas em cargos de poder.

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Em 1948, duas outras pessoas também “cruzaram a linha vermelha”, para usar a surrada expressão de Netanyahu. E não são dois anônimos. Estamos falando de Hannah Arendt e Albert Einstein. Esses e outros judeus proeminentes em sua época (fim da década de 1940) compararam o maior partido conservador de Israel – e seu líder, que se tornou primeiro-ministro – aos nazistas e fascistas. O texto foi publicado em forma de carta no New York Times em 4 de dezembro de 1948 e protestava contra a visita do então primeiro-ministro do Estado de Israel, Menachem Begin, aos Estados Unidos. A carta expressava a opinião de que o partido de Begin (Herut, do qual se originou o atual Likud, do Benjamin Netanyahu) era “um partido político muito semelhante na sua organização, métodos, filosofia política e apelo social aos partidos nazi e fascista”.

É fato incontestável que, desde o início desse conflito na Faixa de Gaza, Lula tem defendido a paz e principalmente o direito à vida de mulheres e crianças, que são maioria dentre as vítimas. Também tem que se separar claramente o joio do trigo: a fala de Lula dirigiu-se tão somente ao governo ultradireitista e genocida de Benjamin Netanyahu e não ao povo judeu.

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Mas, como seria de se esperar, a mídia submissa distorce a realidade sem qualquer pudor ou compromisso com a verdade. E não é extemporâneo recordar que em 5 de novembro de 2023, portanto, há bem poucos meses, o ministro israelense do Patrimônio, Amichai Eliyahu, da extrema direita, sugeriu em entrevista que Israel deveria jogar uma bomba atômica sobre Gaza como uma alternativa possível para Israel lidar com o Hamas. “Esta é uma das opções”, afirmou o ministro de Benjamin Netanyahu. A fala de Lula foi dirigida ao governo integrado por esse apologista de genocídio.

Assim como Lula, outros líderes mundiais fizeram críticas parecidas ao governo de Israel por causa dos ataques a civis na Faixa Gaza, mas não tiveram reação igual. Antes de Lula, o presidente da Turquia Recep Erdogan comparou Netanyahu a Hitler e comparou os ataques de Israel a Gaza ao tratamento dado pelos nazistas ao povo judeu. “Eles costumavam falar mal de Hitler. Que diferença você tem de Hitler? Eles vão nos fazer sentir falta de Hitler. O que esse Netanyahu está fazendo é menos do que o que Hitler fez? Não é. Ele é mais rico do que Hitler e recebe o apoio do Ocidente. Todo tipo de apoio vem dos Estados Unidos. E o que eles fizeram com todo esse apoio? Mataram mais de 20 mil habitantes de Gaza”, disse Erdogan há dois meses. O presidente francês Emmanuel Macron falou em bebês mortos. A África do Sul apresentou uma ação à Corte Internacional de Justiça (ICJ), em 29/12/2023, pedindo uma declaração urgente de que Israel violou suas obrigações sob a Convenção do Genocídio de 1948 na retaliação ao Hamas em Gaza.

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Lula não deixou barato para os Estados Unidos e Europa por cortarem orçamento de agência da ONU de ajuda aos palestinos sob ataques genocidas de Israel armado por Washington, a polarização à luta política global contra o sionismo colonialista na Palestina e chamou a atenção do mundo para a destruição das Nações Unidas como instituição erguida para lutar pela paz.

Diante da decisão das potências imperialistas de cortarem recursos da ONU para agir por meio de sua agência no socorro, Lula informa que manterá ajuda aos palestinos e clama ao mundo para que seja apoiado nessa cruzada contra tanto ao terrorismo do Hamas quanto à reação desproporcional de Israel, igualmente terrorista, de centrar fogo na população palestina de forma indiscriminada.

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Até esse momento nenhum país se solidarizou com o governo israelense na condenação ao presidente Lula. Ao contrário, na terça-feira, 20, os países da Comunidade Europeia se posicionaram contra a invasão de Rafah e os EUA, maior aliado de Israel, foi ao Conselho de Segurança das Nações Unidas por um cessar fogo em Gaza, exatamente o que Lula está rouco de pedir há vários meses.

Quem ficou isolado nessa história? Primeiro, o governo de Israel. Segundo, a grande mídia brasileira desnorteada pela bem-sucedida política externa de Lula, sempre altiva, sempre soberana, sempre solidária com os sofridos da Terra.  

Diante do silêncio cúmplice de tanta gente, Lula disse o  necessário, o óbvio.

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