A engenharia brasileira e o projeto de reconstrução do Brasil

A engenharia precisa renascer no nosso Brasil, em curto prazo e em regime de urgência, e através dela ser retomado o desenvolvimento da Nação Brasileira e reconquistada a sua Soberania

(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
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Assistimos com muita atenção ao pronunciamento do ex-presidente Lula, no último “7 de setembro”, em que ele convocou a sociedade civil para a reconstrução do Brasil, desejo de todos nós. Deixamos claro que não temos qualquer filiação partidária, mas, por força de nossa atuação profissional, sabemos que, para essa reconstrução ocorrer, temos que, prioritariamente, pensar na Engenharia, base do desenvolvimento de qualquer Nação.

Após ter retomado seu desenvolvimento na primeira década e meia do atual século, o Brasil atravessa uma crise de proporções catastróficas, que vem se estendendo. Em seguida à grave recessão dos anos 80, o país levou décadas para se reerguer e, quando acreditava que seria a estrela dos países emergentes, voltou a submergir. No período de bonança, desperdiçamos os ganhos e não atacamos os reais motivos estruturais que impedem nosso crescimento.

Sem investimentos e sequer perspectivas para o setor de obras públicas, a curto e longo prazo, a engenharia nacional está sendo desmontada. O déficit dos governos federal, estaduais e municipais é monumental. Há dívidas do setor público para com as entidades privadas.

A crise que assola o Brasil exige que se busque um consenso em torno de soluções, tendo por base o interesse nacional. Não existe nação forte sem empresas nacionais fortes. Essa compreensão esteve presente nos planos brasileiros de desenvolvimento desde os anos 30 do século passado. Em torno dela o país se industrializou e modernizou a sua agropecuária, combinando sempre o planejamento governamental ao vigor da iniciativa privada.

Nesse contexto, a nossa engenharia se desenvolveu, através de uma grande e moderna base industrial e de empresas projetistas, construtoras e monitoradoras, que atenderam à demanda por bens industrializados de consumo e de capital, e de dotar o país da infraestrutura que o levou ao grupo das 10 maiores economias do mundo.

Foram essas empresas que produziram materiais e produtos de todos os tipos; veículos, aeronaves, embarcações, máquinas, bens duráveis de consumo, meios de telecomunicações etc., e construíram rodovias, ferrovias, metrôs, hidrelétricas, portos, aeroportos, refinarias, indústrias de topo, tipo redes de água e de esgoto, habitações etc. Em resumo, construíram e constroem o Brasil, e suprem suas necessidades de produtos industrializados de todos os tipos.

É claro que ainda falta muito a ser feito para que todos os brasileiros tenham uma vida mais digna, pois o Brasil ainda se encontrava em construção, quando viu seu desenvolvimento ser bruscamente interrompido. É motivo de grande preocupação que, especialmente nos últimos anos, o país venha apresentando enorme retrocesso nesse processo virtuoso.

É nos momentos de crise que precisamos somar forças, políticos e sociedade civil, além dos interesses político-partidários e pessoais. Precisamos nos unir de imediato, e promover a mudança radical de que o país necessita para sua retomada. Trata-se de pensar no Brasil, e não de ficar “cada um no seu quadrado”.

Todos somos responsáveis pelo que está acontecendo. Os políticos não se empenham como devem. Tanto a oposição quanto o governo priorizam sua manutenção no poder, e por último pensam no bem do país. Se é que pensam. Já a sociedade civil é culpada por não exigir as mudanças necessárias.

Com muita tristeza e amargura, estamos assistindo à destruição da engenharia brasileira – a despeito de seu alto valor  –  assim como à da soberania nacional. As dívidas do setor público para com as entidades da engenharia são enormes, e sem perspectiva ou mesmo plano de pagamento.

Sem um programa de obras, o sistema de infraestrutura despenca, e as empresas brasileiras se desmontam e desempregam. Não são apenas os engenheiros brasileiros que voltam ao tempo em que precisavam “inventar” outra função a fim de encontrar empregos. São também os técnicos de nível médio, os administrativos e financeiros, e ainda seus operários, desde os especializados aos meros serventes.

Sob essa roda do desemprego, as empresas de engenharia são esmagadas, e hoje seu setor mais atuante é o de Recursos Humanos, para homologar indesejadas e desgraçadas rescisões contratuais. Já está começando a faltar dinheiro até para isso. Patrões e empregados trabalhando para o desemprego.

Em síntese, há que se lamentar a degradação de empresas brasileiras tecnicamente capazes, com o país abrindo as portas para as empresas estrangeiras, como se estas fossem vestais imaculadas, e não praticassem os mesmos delitos de que as nacionais são hoje acusadas de praticar.

A “Lava Jato” parece ter vindo com o expresso propósito de liquidar as empresas brasileiras competentes. O combate à corrupção é essencial, e deve ser mantido, mas não pode ser usado como instrumento para provocar a estagnação de empresas notáveis, algumas que já vinham, com sucesso, prestando serviços no exterior. Não se pretende aqui absolver de sua culpa pessoas comprovadamente ilegais, mas tentar impedir a destruição total de empresas, preservando-as ao máximo, sem gerar, como ocorreu, o desemprego catastrófico de profissionais probos e competentes e da mão de obra dita “não especializada”, que se viu sem seu pão de cada dia e sem casa para morar. É como condenar os filhos por crimes comprovadamente dos pais.

As empresas que vimos ser punidas são compostas, majoritariamente, por profissionais, que aplicam seus conhecimentos e habilidades no desenvolvimento de equipes técnicas formadas e treinadas ao longo de décadas de trabalho. Essas equipes vêm sendo desmanteladas. As construtoras brasileiras também exerciam o papel de educar mão de obra não qualificada, e até analfabeta. Cursos de alfabetização eram comuns nos grandes canteiros de obras, assim como o treinamento dos trabalhadores sem qualificação, que são contratados como serventes e se profissionalizam como pedreiros, eletricistas, encanadores etc. É por eles que precisamos lutar também! Colapsar as empresas brasileiras é extinguir nossa Soberania!

O IBGE apresentou, em julho deste ano 2020, o estudo “Indicadores Conjunturais – Covid 19. Pesquisa Pulso Empresa: Impacto do Covid 19 nas empresas”, no qual apontou que, na amostragem do setor da construção consultado em todo o país, 43% das empresas fecharam, demitindo cerca de 140 mil trabalhadores, atingindo mais às micro empresas. Vamos  repetir: 43% das empresas de construção fecharam as portas.

A engenharia precisa renascer no nosso Brasil, em curto prazo e em regime de urgência, e através dela ser retomado o desenvolvimento da Nação Brasileira e reconquistada a sua Soberania.

Nós, engenheiros, sabemos e podemos acender a luz. Não é possível continuar caminhando pelas trevas em que nos encontramos. Vamos, pois, acender a luz através do Grupo em Defesa da Engenharia e da Soberania Nacional, ação ambiciosa, coincidentemente com o mesmo objetivo de reconstrução do Brasil professado por Lula em seu discurso de ontem.

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