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Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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A farsa do leite e do mel de Bolsonaro aos aliados judeus

"Bolsonaro é apenas um fascista que agrada a judeus fascistas, apesar da sua conexão com o nazismo. Os interesses maiores da extrema direita estão acima de questões religiosas ou étnicas. Para muitos judeus, um nazista não é hoje o pior inimigo", escreve o jornalista Moisés Mendes

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(Foto: Reprodução)
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Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia 

Continuam tentando fazer uma conexão de Bolsonaro com o judaísmo e com Israel. É um esforço que vem desde a aproximação do sujeito com Benjamin Netanyahu e a extrema direita de Israel, por interesses variados, que incluíam até a torcida interna dos neopentecostais e suas interpretações religiosas.

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"Grande parte dos evangélicos são favoráveis à mudança da capital. Nós estamos atendendo a um anseio de grande parte da população, não é da minha cabeça", disse Bolsonaro quando defendeu há um ano a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém.

Era coisa da cabeça dos outros. Sob pretexto religioso, para fazer média com sua base nos templos de Edir Macedo, Bolsonaro foi em frente. Os judeus seriam os garantidores do retorno de Jesus à Terra Santa.

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Bolsonaro alinhava-se na verdade à extrema direita mundial, a partir dos interesses de Trump. Mas muita gente boa, incluindo intelectuais judeus, embarcou na hipnose do amigo da terra prometida aos descendentes de Abraão.

Bolsonaro poderia ser o que sabiam que era, mas apresentava-se como amigo de Israel e dos judeus. É o que bastava. Sabiam que avalizavam uma farsa, mas persistiram.

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Tentaram até atribuir ao sobrenome de Bolsonaro uma raiz judaica. Tentaram vincular Bolsonaro a um povo historicamente perseguido, mas que não pode ser confundido com a extrema direita de Netanyahu< /span> e assemelhados fascistas que enxergam antissemitas em cada esquina.

O que se sabe, por prova provada, e não por convicções, é que Bolsonaro está no outro extremo, ele está mais próximo do nazismo. Sempre se soube, por suas falas e seus atos.

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Mas para a direita judaica era interessante fomentar a ideia de que Bolsonaro seria amigo de todos eles, um líder capaz de contribuir para a luta contra o antissionismo e os inimigos muçulmanos.

Temos agora a controvérsia do vídeo em que Bolsonaro ergue um copo de leite e brinda com os parceiros ao lado, como se estivesse aceitando um desafio do marketing agrário da ministra Tereza Cristina. Naquela base de que leite é agro, leite é pop. Bebam leite e sejam saudáveis e alegres.

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E aparecem os entendidos em mensagens neonazistas e supremacistas para dizer que o gesto é uma provocação, uma mensagem da pureza branca, da eugenia que Bolsonaro acaba por defender como aliado da pandemia. Que morram logo os que tiverem que morrer.

Que morram os fracos, os velhos, os doentes, os pobres, os negros, e salve-se quem tiver condições de se adaptar aos tempos de peste, os que são brancos como o leite.

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Alguns dizem que Bolsonaro desafia a morte porque raciocina como soldado em tempos de guerra, que Bolsonaro pensa como militar diante da morte, mesmo que não deva ser visto, segundo o general Eduardo Villas Bôas, como um ex-militar, coisa que de fato nunca foi. Ele nunca participou de nada parecido como uma guerra, é uma ofensa aos militares.

Bolsonaro pensa mesmo a partir de bases ideológicas nazistas, o que não exige grande esforço. Não há judeus enganados com o leite e o mel oferecidos por Bolsonaro. Há judeus que optaram pela aliança política, sentimental e criminosa com um extremista.

Acolheram Bolsonaro como um dos seus, apesar dos alertas dos judeus progressistas. Bolsonaro é apenas um fascista que agrada a judeus fascistas, apesar da sua conexão com o nazismo.

Os interesses maiores da extrema direita estão acima de questões religiosas ou étnicas. Para muitos judeus, um nazista não é hoje o pior inimigo.

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