A hora de isolar Bolsonaro

No aniversário do golpe, Florestan Fernandes Jr., do Jornalistas pela Democracia, diz que "se existe hoje uma ameaça à ordem democrática, alguém que patrocina a desordem social e flerta com ideologias de extrema direita que lembram o fascismo e alimenta a instabilidade entre os poderes, esse alguém é Jair Messias Bolsonaro"

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(Foto: Marcos Corrêa/PR)


Por Florestan Fernandes, para o Jornalistas pela Democracia - E cá estamos nós, num 31 de março de 2020, sem nada para comemorar e muita coisa para lamentar, se preocupar e lutar. Na data em que o golpe militar completa 56 anos, a Ordem do Dia divulgado pelo Ministério da Defesa, como já era de se esperar, afirma que os 21 anos de ditadura impostos à Nação foram fundamentais para preservar a democracia em nosso país. Argumentam que serviu para evitar a balbúrdia, a corrupção e as ideologias autoritárias. E vão além: “As Forças Armadas continuam sempre atentas para manter a ordem, a paz e a estabilidade”. Deixam no ar a possibilidade de repetir a dose de uma intervenção. Ato que poderia levar a privação da liberdade, da volta à censura, de perseguições políticas, prisões ilegais, torturas e o fim do voto livre e direto. 

Interessante é que, se existe hoje uma ameaça à ordem democrática, alguém que patrocina a desordem social e flerta com ideologias de extrema direita que lembram o fascismo e alimenta a instabilidade entre os poderes, esse alguém é Jair Messias Bolsonaro. Ele é o presidente que mais nomeou oficiais do Exército para cargos de primeiro escalão desde a proclamação da República. Um ser que tem entre seus amigos íntimos milicianos acusados de crimes hediondos. Um personagem incapaz de oferecer um projeto para o país, que governa através de uma junta familiar, que se aconselha com um astrólogo na Virgínia e que obedece cegamente às determinações políticas de Washington.

Um ser irresponsável que, por várias vezes nos últimos dias, contrariou às determinações da Organização Mundial da Saúde e do ministro Luiz Henrique Mandetta e, não satisfeito em não cumprir o isolamento, saiu às ruas para abraçar e cumprimentar populares em plena pandemia do coronavírus.

É este senhor e seu entorno que representam uma ameaça concreta ao nosso país. Espero que as Forças Armadas estejam, desta vez, do lado certo da história para cobrar a defesa dos interesses maiores da Nação e do cumprimento à Constituição. Que abram bem os olhos e os ouvidos para ver e ouvir as panelas baterem nas janelas dos prédios e das casas das cidades brasileiras, que exigem a saída imediata do capitão e de seus filhos do poder. Motivos jurídicos para isso não faltam, tantos foram até aqui os desatinos de Bolsonaro contra as determinações da nossa carta magna. É necessário união e tranquilidade para vencermos o desafio de salvar vidas e retomar, lá na frente, a volta à normalidade e a retomada do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Com Bolsonaro no comando isso será impossível de acontecer, mesmo que façam dele apenas uma peça decorativa. 

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