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Marcia Tiburi

Professora de Filosofia, escritora, artista visual

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A lógica do estupro: o caso Daniel Alves

"O estupro é o crime machista por excelência", diz Marcia Tiburi

Daniel Alves no tribunal durante o primeiro dia de julgamento por acusação de estupro em Barcelona, Espanha 05/02/2024 (Foto: Alberto Estevez/Pool via Reuters)
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Condenado por estupro de uma mulher na Espanha, Daniel Alves vem sendo protegido por parceiros seja por omissão, o silêncio sobre o caso, ou por ação direta como aconteceu por meio da doação de alguns milhares de Euros por parte de Neymar, ajudando o parceiro a diminuir a pena de prisão.

Milly Lacombe sugeriu a “desneymarização” do futebol considerando que, embora o jogador tenha lá o seu talento e seja muito valorizado financeiramente por isso, ele vem sendo uma figura cujas posições como personagem público causam mal-estar e vergonha a quem ama o futebol e sabe da sua função na produção de um imaginário para a democracia. 

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Neymar causa vergonha alheia seja enquanto garoto propaganda neoliberal, seja como sonegador de impostos ou defensor de fascistas. 

Daniel Alves não é o primeiro a estuprar e ser condenado. Há mais nomes brasileiros, junto a nomes estrangeiros, igualmente condenados por esse crime que é naturalizado no patriarcado.

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O estupro é o crime machista por excelência. Homens estupram ao longo das eras, em todos os contextos históricos, geográficos e sociais. Se a masculinidade se confunde com a violência, o estupro faz parte dela, sendo uma espécie de ameaça interna, o que Rita Segato chamou de “mandato de violação”, ou “mandato de estupro”. 

O que vem sendo chamado há bastante tempo de “cultura do estupro” diz respeito a essa estranha norma que paira sobre todas as mulheres como ameaça. Obviamente, é preciso afirmar que isso não quer dizer que todas as relações sexuais sejam violentas. Certamente, é possível haver relações sexuais livres de violência, assim como é possível haver comunicação sem violência. Mas é importante saber que não há patriarcado sem violências, sendo o estupro emblemático da violência fálica que caracteriza o sistema. Assim, a cultura do estupro precisa ser desmontada por meio do enfrentamento a essa ideia, da análise e da crítica e certamente ela passa por enfrentar uma forma de pensar que objetifica mulheres tratando-as como seres a serem humilhados e destruídos. Por que fazer isso? A resposta fica entre a perversão e a inveja das mulheres, mas pode ser também uma combinação das duas coisas.  

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