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Moisés Mendes

Moisés Mendes é jornalista, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim). Foi editor especial e colunista de Zero hora, de Porto Alegre.

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A moça do tio morto e a facção que planejou saquear a Petrobras moribunda

Para a facção de Curitiba, parecia fácil se apropriar do butim, porque a estatal era quase um cadáver, escreve o colunista Moisés Mendes

Mulher com um cadáver de um idoso (Foto: Reprodução)
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É possível fazer alguma analogia entre o caso da mulher que teria levado o tio morto ao banco, para pegar um empréstimo de R$ 17 mil, e a situação da Petrobras, que seria saqueada em R$ 2,5 bilhões pelos lavajatistas de Curitiba?

É possível e deve ser feita, para que tenhamos clareza de como funcionam o sentimento médio de punição e de reparação e os sentimentos do sistema de Justiça. Não é nem uma questão de clichê moral, mas de compreensão dos alcances ‘técnicos’ e hermenêuticos do sistema. É uma questão de poder. 

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A mulher que teria tentado ficar com R$ 17 mil de um morto foi presa em flagrante. A facção do Ministério Público de Curitiba, que tentou ficar com R$ 2,5 bi da Petrobras, cinco anos atrás, com aval do Judiciário, como se saqueasse uma morta, está solta. 

E tudo parece uma questão alegadamente técnica de abordagem dos dois casos. Mas não é. O juiz corregedor do Conselho Nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão, deixa claro no seu voto como foi montada a estratégia para acesso aos R$ 2,5 bi.

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Salomão define a operação como cashback. O plano era cobrar a multa da Petrobras, por delitos que teriam prejudicado acionistas, para que o dinheiro fosse parar depois na tal fundação.

Os lavajatistas iriam saquear a Petrobras, em nome de uma compensação como justiceiros que teriam outras missões a cumprir, sabendo que agiam como saqueadores. É o que está no voto do relator. Inventam a fundação e planejam a multa como uma espécie de prêmio pelo que fizeram.

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Para repetir e deixar ainda mais claro: Deltan Dallagnol e sua turma almejam chegar à multa, porque sem essa punição não existiria o plano bilionário da tal fundação. É o que nos diz Salomão.

É possível que Dallagnol, com o aval da juíza Gabriela Hardt, enxergasse a Petrobras uma empresa moribunda às vésperas do sepultamento, enquanto Sergio Moro iniciava sua lida como empregado de Bolsonaro.

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Os R$ 2,5 bilhões seriam levados por eles como quem leva o dinheiro de um cadáver largado na estrada e que não pertence a mais ninguém. O MP chefiava o butim, para ficar com os restos da estatal massacrada pelo lavajatismo junto com as empreiteiras que deveriam quebrar.

Pegaram restos bilionários que não têm exemplo em nenhuma outra rachadinha e nenhuma outra fundação semelhante no Brasil e no mundo, até porque não existe mesmo pilhagem parecida com a que eles planejaram.

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Essa é a realidade para quem gosta de comparações, porque comparar, em casos como esses, é tornar ainda mais evidentes os contrastes entre as situações jurídicas de miseráveis e de poderosos em empreitadas ditas moralizantes como agentes do Estado. 

A mulher pobre, que teria problemas mentais, está em prisão preventiva. Os que planejaram saquear a Petrobras, gente de exceção e com brilhos mentais, estão soltos. E a tentativa de pegar o dinheiro da Petrobras é de março 2019. 

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São cinco anos. Só agora são acusados com alguma efetividade de ilegalidades que podem configurar corrupção passiva, corrupção privilegiada, peculato e prevaricação. 

Escaparão, se prevalecer a tese de que foram apenas infelizes ao levar adiante a ideia da fundação que poderia transformar Dallagnol em benfeitor com cofre de banqueiro. Mas a Petrobras sobreviveu e irá se vingar de todos eles.

(É importante observar que as últimas informações são de que a mulher pode ter chegado com o homem vivo ao banco. Ou seja, é provável que ela tenha sido mais correta do que os que tentaram ficar com o dinheiro da Petrobras que eles tratavam como morta.)

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