A privatização da Eletrobras, uma ação entre amigos

Para o ministro do TCU, Vital do Rêgo Filho, quem vai fazer a festa com a privatização é o mercado financeiro.

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9/04/2019
REUTERS/Brendan McDermid
Logo da Eletrobras em painel na bolsa de Nova York 9/04/2019 REUTERS/Brendan McDermid (Foto: Brendan McDermid)


Na semana passada o Tribunal de Contas da União voltou a levantar suspeição sobre a privatização da Eletrobras. Na última quarta-feira, 20, atos contra a privatização ocorreram em todo o país. Não se trata de mais um desdobramento da luta que começou no final da década de noventa, onde no mesmo palco da foto acima os trabalhadores da Eletrosul  lutaram à exaustão para evitar que as usinas da empresa fossem vendidas. Duas décadas depois negócios mais ainda obscuros voltam a ameaçar o setor elétrico brasileiro.

A preocupação do TCU não é ideológica e nem contra o governo. Sua obrigação de ofício é proteger o bem público de eventuais danos patrimoniais. A origem do impasse está na desvalorização da Eletrobras para facilitar o interesse da oligarquia amiga do poder. Salvo melhor juízo por trás dos mal feitos e do  açodamento em curso está à figura do presidente da Câmara, Arthur Lira, do Centrão. 

Em maio de 2021, mais precisamente dia 22, o presidente da Câmara Federal comemora a guinada do governo que passa a apoiar alterações no texto da medida provisória que trata da privatização da Eletrobras. O objetivo de Arthur Lira era de incorporar na MP 8GW de energia térmica a gás para as regiões norte e nordeste. À Câmara cabe legislar, não é função do presidente da Casa planejar o setor elétrico. 

O protagonismo de Arthur Lira no processo, logo chamou a atenção do setor. Não se tem gasodutos e nem usinas para atender um "jabuti" desse tamanho. Além do mais no nordeste pelas boas condições de sol e vento, a energia produzida por essas fontes alternativas já asseguram a autossuficiência energética na região.  E Lira sabe disso.

Logo depois do envolvimento suspeito do presidente da Câmara, as notícias vinculadas na grande mídia alertavam de que por trás dos "jabutis" estão interesses bilionários da oligarquia local. Por definição são pessoas ligadas ao poder, que se utilizam dos seus relacionamentos para se beneficiar do Estado. O Tribunal de Contas da União passou a ouvir outros setores para formar opinião. Afinal, todo o cuidado é pouco: são 100 milhões de megawatt hora/ano de energia térmica a gás entrando na matriz energética do país, a um custo aproximado de 50 bilhões de dólares por ano.  

Para o ministro do TCU, Vital do Rêgo Filho, quem vai fazer a festa com a privatização é o mercado financeiro. Até concordo, mas vou além. Quem vai fazer a festa são os amigos do poder que passarão a ter assegurada a compra de um bloco de energia elétrica a gás, maior do que a de Itaipu. Só que com o preço em dólar dez vezes maior.  É minha velha tese se confirmando - estão dolarizando a energia. Se estiverem em dúvida perguntem aos responsáveis. Um assunto importantíssimo para o país precisa ser esclarecido. As eleições estão chegando, a escolha é sua. 

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