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César Fonseca

Repórter de política e economia, editor do site Independência Sul Americana

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Ambiguidade fatal do líder do governo Jaques Wagner fragiliza Lula no momento de abertura do G20

"Jaques Wagner está fazendo o jogo do bolsonarismo e, consequentemente, queimando-se dentro do Partido dos Trabalhadores", critica César Fonseca

Rodrigo Pacheco e Jaques Wagner (Foto: Pedro França/Agência Senado)
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O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder judeu do governo no Senado, está fazendo o jogo do bolsonarismo e, consequentemente, queimando-se dentro do Partido dos Trabalhadores.

Disse que Lula foi impertinente contra Israel, mas não condenou a distorção das palavras do chanceler de Israel, duramente, condenadas pelo ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores.

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Indiretamente, Wagner juntou sua posição ambígua com a do presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que defende retratação do presidente perante o governo israelense.

Fortalecem, dessa forma, o líder da ultradireita, Jair Bolsonaro, ameaçado de prisão pela PF sob orientação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

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O choque parlamentar levantou a voz palestina no Senado por Lula por intermédio do senador Omar Aziz (PSD-AC), que contra-atacou aproximações dos governistas com nazistas durante o governo Bolsonaro, responsável pela morte de mais de 700 mil brasileiros e brasileiras, como fruto do negacionismo fascista.

Tais aproximações politicamente explosivas, seguidas de declarações ideológicas polarizadas não mereceram, bradou Aziz, apreciações críticas do presidente do Senado que agora se volta para exigir de Lula comportamento que ele próprio, Pacheco, não adotou.

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O clima político decorrente das palavras de Lula de crítica ao genocídio esquentou prá valer, no Congresso.

Ambos, Pacheco e Jaques Wagner, expressões simultâneas do governo e da oposição, no parlamento, pressionam o presidente Lula a uma posição política que o fragiliza, no momento em que Lula está exposto internacionalmente na articulação do G-20, no Rio de Janeiro, dada a agressividade de Israel contra o titular do Planalto.

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Reforçam o contra-ataque dos bolsonaristas, aliados de Benjamin Netanyahu, genocida da Palestina, em favor do impeachment contra o presidente Lula.

Troca de posições - Por incrível que pareça, quem sai em favor de Lula não é o seu líder, na Câmara Alta, mas seu adversário na Câmara baixa.

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O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), que, durante o ano passado, acossou Lula de todos os lados, para aprovar emendas parlamentares, retirando do orçamento da União recursos com os quais o governo pretendia apressar o PAC Lulista, sai, agora, em defesa do presidente da República.

Lira alerta os deputados da oposição – são mais de 100, dizem –, que assinam pedido de impeachment para detonar Lula, que não moverá uma palha nesse sentido.

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O choque político entre Lira e sua base conservadora da direita e ultradireita, do Centrão, está na ordem do dia, criando novo clima político no Legislativo.

Invertem-se, portanto, as forças políticas no Congresso relativamente ao governo Lula.

Ontem, Lira jogava contra e Pacheco a favor de Lula.

Hoje, na nova sessão legislativa, Pacheco se posiciona contra e Lira a favor.

Isso mostra, claramente, que a força de Lula vem do Nordeste, embora haja dissensão de Jaques Wagner, que é da Bahia, enquanto o sul dominado pela elite financeira tenta defenestrar o presidente.

A novidade é que o debate político passou a ser conduzido pelos fatores externos, em vez dos internos, com destaque para o fato de que, nesse novo cenário, o prestígio internacional de Lula é muito maior do que o prestígio que angaria internamente, diante da polarização política centro-esquerda-lulista x direita-ultradireita bolsonarista.

A confusão política evidente é a de que se verifica a atração de parte da força lulista para a força bolsonarista, como se vê com a dissenção do líder petista no Senado que não só racha o PT, mas, também, fortalece os fascistas alinhados de Netanyahu.

Hora da mobilização interna - O contra-ataque necessário das forças governistas tem que ser formado, desde já, a partir das bases partidárias dos trabalhadores, que, no Congresso, são minoria diante dos conservadores de direita e ultradireita.

A elite parlamentar, entretanto, não tem força nas ruas, ao contrário das forças lulistas que mobilizam geral os trabalhadores.

Vale dizer, o governo tem que organizar sua base com sua força popular que não está devidamente representada no parlamento, com sua política pró-social em contraposição à pró-neoliberal.

Chegou a hora da mobilização das associações e sindicatos dos trabalhadores, para contrabalançar a onda reacionária anti-Lula da direita-ultradireita parlamentar, que se revigora com cenário da guerra Israel-Palestina, diante da qual Lula posiciona-se, claramente, em defesa dos palestinos.

O fato externo – guerra Israel x Palestina – tira do foco da cena política a cruzada interna da PF contra os golpistas bolsonaristas para colocar no seu lugar o bolsonarismo fascista articulado com ultradireita israelense comandada por Netanyahu.

A reunião do G-20, cujos preparativos se realizam, no Rio de Janeiro, em encontro dos chanceleres internacionais, transforma-se, diante do novo cenário, em palco onde os conflitos internos se internacionalizam.

É o que começa acontecer, depois das críticas ácidas de Lula ao governo direitista de Israel que promove, consensualmente, mundo afora, genocídio contra os palestinos, desproporcionalmente, fragilizados diante do poderoso exército sionista israelense, apoiado, escancaradamente, pelos Estados Unidos.

Desse modo, no cenário do G-20, será possível ver a polarização maior das potências armadas: de um lado, Antony Blinken, secretário de Estado dos Estados Unidos, apoia o genocida Netanyahu; de outro, Serguei Lavrov, chanceler russo, defende o direito de Lula criticar o governo israelense e seu primeiro-ministro como faz a consciência cidadã internacional, em escala crescente.

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