As novas vidraças do Brasil estilhaçado pelo golpe de 8 de janeiro

"Agora é blindar as vidraças dos palácios, redobrar a vigilância e não largar a mão da Democracia", escreve Hildegard Angel sobre a fotomontagem da Folha

(Foto: Reprodução)


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Por Hildegard Angel, para o 247

O que inspirou a primeira página da Folha de hoje, com essa foto, um trabalho excepcional da fotógrafa Gabriela Biló, que, conforme o jornal informa, se tratam de duas imagens sobrepostas?

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Inspirou-me a vitória de Lula sobre a violência do 8 de janeiro, sobre o golpe pretendido. Inspirou-me a virada da página e a irreversível  derrota do golpismo e dos golpistas

O ar contente e despreocupado do Presidente da República, enquanto ajeita a gravata, e a inutilidade da agressão à vidraça do Palácio do Planalto, cujo objetivo de aniquilar este governo não foi alcançado.

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Também me veio à mente a fragilidade dos vidros, que não eram blindados, dos três projetos de Oscar Niemeyer, atacados pelos terroristas em fúria. 

O arquiteto, quando concebeu os palácios, nos auspiciosos anos JK, pensou num Brasil feliz, de um povo confiante num futuro de esperanças realizadas, com sua obra fincada nos traços do urbanista Lúcio Costa, sugerindo um avião prestes a decolar, o supersônico Brasil.

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Naquele momento brasileiro da inspiração dos dois artistas magníficos, a única expectativa era a de um Brasil próspero, soberano e em breve tempo pousando na pista de um país de Primeiro Mundo.

Na terra vermelha do cerrado sem flores, os palácios de Niemeyer desabrochavam cintilantes, refletindo o sol, riscando o horizonte luminoso. 

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E ninguém adivinhava o que estava de fato por vir... A renúncia inconsequente de Janio, o golpe em Jango com a fake news do comunismo, os tentáculos dos militares capturando o poder por 21 anos, a preciosa geração de idealistas massacrada por torturas e morta. A intimidação, a anistia irrestrita, a Nova República...

E quando a luz da esperança de novo acendeu, veio o guerra híbrida, o Law fare, o golpe em Dilma, os tenebrosos Deltan-Moro, prisão de Lula, a distopia Bolsonaro, eleição de Lula, posse, novas esperanças e a caravana dos patifes espatifando os 3 Poderes.

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Mas, e agora, Oscar?

Agora é blindar as vidraças dos palácios, redobrar a vigilância, não largar a mão da Democracia e, com passos firmes, o Brasil decolar rumo à tão adiada felicidade, conduzido pelo melhor presidente que a atual geração de brasileiros conheceu. E por isso o elegeu.

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