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Marcia Tiburi

Professora de Filosofia, escritora, artista visual

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Auschwitz não cessa de se repetir

Uma reflexão de Marcia Tiburi "sobre a história humana e sua dupla banda"

Ataque de Israel a hospital de Gaza mata cerca de 500 pessoas (Foto: Reprodução)
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Seguimos assistindo a guerra e as perguntas continuam as mesmas. Como ver um bombardeio sobre um hospital em um país sitiado sem se comover? Como ver pessoas que perdem suas casas, seus cotidianos e suas vidas sem sofrer junto com elas? Quem é capaz de escolher um lado – o dos Estados patriarcais - quando inocentes são mortos? 

No meio disso, como ler frases de ódio contra críticos da guerra e de seus violentos agentes sem se estarrecer? 

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Aqui, de onde estamos, sabemos que Estados e governos patriarcais e capitalistas sempre farão guerras. 

Contudo, cabe perguntar sobre o ódio que se mantém como combustível no processo. Há ódio por todo lado em uma guerra. Há, sobretudo, o ódio dos Estados contra os povos. Devemos nos perguntar o que sentimos nós que assistimos a uma guerra no lugar do espetáculo em que elas são colocadas sempre, um espetáculo inclusive mediado, ou seja, transformado em mercadoria pela indústria da sensação que é a mídia. 

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Devemos nos perguntar se serão livres os nossos sentimentos diante disso? Conseguimos pensar em conciliação e paz? Conseguimos sentir compaixão? Ou sentimos apenas ódio por um dos lados, quando os promotores da tragédia se igualam em capacidade de matança? 

Podemos separar a justa crítica aos Estados violentos - sua tirania, seu fascismo - e os extratos de ódios atávicos que muitas vezes encenamos se nem saber por quê? 

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De fato, não há apenas ódio nessa guerra. No mundo palestino e israelense há inúmeras pessoas que se esforçam por um caminho de paz. 

Enquanto também eu me comovo diante do horror e da barbárie produzida por homens que lucram com o sofrimento alheio, penso nas pessoas que abrem horizontes para que judeus e muçulmanos, israelenses e palestinos possam viver em paz. 

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Enquanto penso, mais um inocente é assassinado e sinto culpa por refletir e ocupar o lugar privilegiado da reflexão nesse momento (ele é apenas uma circunstância que nos torna responsáveis pelo que pensamos). 

Meu pensamento me obriga a ver os povos indígenas brasileiros, os guarani-kaiowá, mortos diariamente nos territórios sitiados pelos ruralistas no Brasil, sobretudo no Mato Grosso do Sul. Eu sinto pena e tristeza e me pergunto o que podemos fazer para mudar esse mundo, pois agora Auschwitz se repete, agora Auschwitz é Gaza. Na Banda de Moebius, a dupla banda, os lados opostos confluem para o mesmo. A terra indígena também é Auschwitz e nós que sobrevivemos - quando sobrevivemos – o fazemos sobre a morte dos outros e o fim de muitos povos pelos genocídios.

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Auschwitz é a barbárie que não para de se repetir no genocídio dos jovens negros, das crianças negras, na matança de mulheres por feminicídio, no transfeminicídio, na aniquilação das florestas e biomas. Um povo dentro emparedado, como no Gueto de Varsóvia. 

Tudo é a repetição da barbárie contra a qual se fala desde o fim da II Guerra. Adorno dizia, não se pode repetir Auschwitz. E ela não cessa de se repetir. 

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Nós que refletimos sobre o mal e o sofrimento humano, sabemos que todas as respostas passam pelo fim do patriarcado capitalista que goza com o extermínio de indivíduos e grupos. Não é possível viver em paz no patriarcado e a triste prova disso se apresenta todo dia quando, anestesiados, nos acostumamos com a morte dos outros como se ela não fosse a morte do que um dia alguém chamou de humanidade. 

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