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Elisabeth Lopes

Advogada, especializada em Direito do Trabalho, pedagoga e Doutora em Educação

18 artigos

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Cantemos e sejamos eternos aprendizes!

Vivemos em um país multicultural, de uma democracia que precisa ser afirmada a cada instante em todas as suas construções culturais

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Caetano Veloso e Xande de Pilares (Foto: Divulgação/Marcos Roger)
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A cultura musical é resultado de uma, entre tantas expressões humanas, que traduz a sensibilidade imaterial de períodos históricos, da arte e do ato político social de interpretação de quem está no mundo e com o mundo.

A partir de 1964, vivemos uma efervescência cultural criativa, durante os 21 anos de inconcebível imposição do silêncio, que contrariamente se tornou a mais eloquente audição de todos os tempos.  

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No meu artigo anterior, publicado neste site, onde respiramos a verdadeira e humana liberdade de expressão, citei algumas obras de arte da música popular brasileira, que marcaram o período em que as várias dimensões da cultura foram amordaçadas. Contudo, a sabedoria dos criadores foi mais forte que a estupidez que os tentava paralisar. O letramento inteligente das expressões artísticas em música e verso ludibriaram a ignorância insana. Foram tempos de metáforas que enganavam, brilhantemente, as limitações das sinapses cerebrais da censura.

Quem não conhece as valiosas criações de letra e música de Chico Buarque, de Caetano Velozo, de Geraldo Azevedo, de Geraldo Vandré, de Gilberto Gil, de Milton Nascimento, entre tantas outras manifestações da música brasileira, reverenciadas no Brasil e no mundo.

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Para além da dureza dos anos sombrios, foi composta por Geraldo Vandré, a icônica letra e melodia “Pra não dizer que não falei de flores (1967). Nos regozijamos com “Alegria, alegria” de Caetano Veloso (1967).

 Apesar dos anos de tirania, foi esculpida por Chico Buarque, a música “Apesar de você” (1970). Bebemos o vinho tinto de sangue no inesquecível “Cálice” de Gilberto Gil e Chico Buarque (1973). 

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Ecoou em nossos ouvidos o “Bebo e a equilibrista” de Aldir Blanc e João Bosco (1975). Vibramos no final dos anos setenta num país que queríamos decifrar por meio da canção ”Que país é este” de Renato Russo. 

Os grandes festivais da música popular brasileira, oxigenaram o povo sofrido, a partir dos anos 60. Esses concursos musicais revelaram muitos talentos, como Rita Lee, Mutantes, Edu Lobo, Taiguara, Djavan, Gal Costa, entre tantos.

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Eclodiram nesse período, Maria Bethânia, Nana Caymmi, Simone que nos fazem viajar pelas letras de amor e entrega, sem esquecer de Beth Carvalho, Clara Nunes, Paulinho da Viola, que nos fazem balançar no ritmo autêntico do samba. Nem tão pouco de nossa bossa nova de Vinicius de Morais, João Gilberto, ou das belas canções de Alceu Valença, Osvaldo Montenegro, Fagner, Erasmo e Roberto e da voz cristalina de nossa brava e eterna diva, Elis Regina. 

As criações musicais, do período mais infame do país, foram seguidas nos anos oitenta, por outras canções, que surgiam na retomada incipiente da democracia, além da continuidade das criações dos clássicos compositores retornados do exílio, que cantaram as amarguras, as aventuras e desventuras de viver num país que vinha sendo apagado pela borracha antidemocrática. 

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Tivemos a irreverência de Renato Russo e Cazuza, que marcaram a vida de brasileiros, que nascidos pós ditatura, iniciavam suas vidas num país, calejado pelas proibições. Foram tempos em que surgiram várias bandas de rock, como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Titãs.

Temos o privilégio de ouvir e cantar com homens e mulheres da cultura musical brasileira, as mais variadas expressões musicais, seja no axé, no sertanejo, no funk, no frevo, no pagode. 

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Fica difícil nomear a totalidade de estilos, de compositores e cantores de músicas que nascem todos os dias nesse “Brasil do meu amor, terra de nosso senhor” na canção “Aquarela do Brasil” (1939) de Ari Barroso, apesar do Estado Novo de Vargas.   

Devo ter esquecido, injustamente, de outros grandes artistas e estilos musicais. Entretanto, tenho plena certeza de que os leitores, ao lerem este texto, vão lembrar de músicas com as quais dialogaram em algum lugar do passado ou do presente. A ideia é esta.

Sem dúvida, toda a música ouvida, todo o poema em canção lido, ou outra expressão cultural recitada traduz as impressões de cada artista sobre o mundo que habita, nos levando nesse encontro a muitas reflexões, que nos aguçam a pensar, a partir das perspectivas do outro, entrelaçando-as com as nossas. As razões da cultura, residem nessas ações dialógicas entre  o ouvinte e o objeto  musical.

As diversas manifestações da vida cultural de um país expressam, portanto, os movimentos desse eterno encontro do eu com o tu, como nos refere o filósofo e pedagogo Martin Buber. 

Nas palavras desse filósofo: “somente aquele que se volta para o outro homem enquanto tal e a ele se associa recebe neste outro o mundo” (Martin Buber. Do diálogo e do dialógico, p.65, São Paulo: Perspectiva, 1982).  

As palavras do outro nos provocam os sentidos e no dizer de Zuben, sobre a cumplicidade dialógica de Buber, toda vez que uma palavra é dita ela no remete à nossa existência (Livro: Newton Aquiles Von Zuben. Martin Buber: Cumplicidade e diálogo. ed. Edusc: Bauru - SP, 2003).

Resultantes desse eu-tu e do nós, nos encantamos uns nos outros, com a diversidade cultural de um país que foi se desenvolvendo por meio da convivência de variadas culturas: indígena, africana, europeia, latino-americana. 

Não há superioridade de uma cultura sobre a outra, mesmo com as tentativas da classe dominante desejar hegemonizar uma em detrimento das demais. Todas podem conviver em paz e em igualdade nos seus acervos comunicantes. 

Esse é o país multicultural em que vivemos, de uma democracia que precisa ser afirmada a cada instante em todas as suas construções culturais. 

Por fim, nas palavras do querido Gonzaguinha, a quem não havia citado, entre tantos outros que povoam as mentes dos brasileiros, já pedindo desculpas por esse texto incompleto sobre a produção musical de nosso país, registro, em tempo, parte de alguns trechos de sua canção imortal: “O que é, O que é” (1982): 

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Ah, meu Deus! eu sei, eu sei, que a vida devia ser bem melhor, e será”. E nas palavras de amor do sambista Xande de Pilares em “Tá escrito” encerro esse mergulho na música brasileira, pois “quem cultiva a semente do amor, segue em frente e não se apavora, se na vida encontrar dissabor, vai saber esperar a sua hora” (2009). Salve a democracia, a boa hora chegou.

Cantemos com Gonzaguinha e Xande, como eternos aprendizes, pois quem cultiva amor segue em frente e não se apavora!

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