Carta aberta à excelentíssima srª juíza Inês Marchalek Zarpelon

O papel de vossa excelência como juíza, não é o de colocar todo um grupo étnico sob suspeição criminosa, baseada na dicotomia do seu direito particular e no seu preconceito processual

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Prezada,

Sobre sua conduta social pouco sabemos. Seguramente integrante de algum grupo racista, em razão de uma sentença promulgada em prejuízo de um réu da raça preta, vossa excelência age de forma extremamente preconceituosa no exercício de sua função e o seu comportamento, juntamente com os demais racistas deste país, causam o desassossego e desesperança da população, principalmente, a preta, que passa a acreditar cada vez menos na imparcialidade da justiça.

Em razão de sua raça, o seu sentenciado foi considerado seguramente integrante de um grupo criminoso. O que leva a sociedade a crer que todos os pretos sejam bandidos e estejam ligados a alguma organização do gênero. O papel de vossa excelência como juíza, não é o de colocar todo um grupo étnico sob suspeição criminosa, baseada na dicotomia do seu direito particular e no seu preconceito processual. Pelo contrário, vossa excelência deveria julgar com correção e imparcialidade e observando as provas que constam nos autos.

Sobre sua conduta social pouco sabemos. Mas, podemos afirmar seguramente que a magistrada não está apta a exercer um cargo de tão alta complexidade e relevância no judiciário, dado que a sua percepção social e racial dos indivíduos da raça preta, não lhe permite raciocinar com clareza e cognição necessárias para julgá-los de maneira isenta e confiável. O que pode resultar na subversão das leis que vossa excelência deveria proteger e fazer cumprir, e, consequentemente, na emissão de uma sentença injusta pautada pelo seu ódio racial a esse grupo étnico.

Gostaria de lembrar ainda à vossa excelência que, não são os indivíduos da raça preta que possuem uma extensa ficha de crimes cometidos contra a humanidade, a ponto de serem naturalmente associados a grupos criminosos. Ao declarar que, “Seguramente, em razão de sua raça”, o réu que estava sob o seu julgamento era integrante do grupo criminoso, a senhora atribui a todos os cidadãos da raça preta o rótulo de bandidos. Como se nós fôssemos os responsáveis por todos os crimes cometidos sob o sol.

Não fomos nós quem traficamos pessoas e enriquecemos às custas da exploração de sua mão de obra escravizada, sem permitir, ao menos, que elas tivessem o mínimo de dignidade existencial. Não foi um homem preto quem promoveu o genocídio de milhões judeus e as “Cruzadas” religiosas que mataram outras milhares de pessoas em nome de Deus. Não foram os pretos que queimaram seres humanos na fogueira da diabólica inquisição. Os autores desses crimes tinha a cor da pele de vossa excelência. Podemos julgar todos os brancos como assassinos em potencial, em razão do histórico criminoso de sua raça? Seguramente que não.

Quanto à senhora, seguramente em função do preconceito racial manifesto em sua sentença condenatória, não restam dúvidas de que vossa excelência adotaria nos dias de hoje, se ainda fosse permitido por lei, os mesmos métodos de tratamento que seus ancestrais ofereciam aos pretos no passado. Suponho que essa frustração lhe consuma tanto, que o seu desejo interior acaba criando uma jurisprudência pessoal, a fim de satisfazer o seu sentimento de supremacia racial. Não sou jurista, mas algum especialista da área já deve ter levantado a possibilidade de processá-la, por racismo ou parcialidade no exercício de sua função. É o mínimo.

Concluo esteja missiva desejando-lhe, além de uma punição exemplar, que tenha um pouco mais de empatia para com o outro. Que o fogo da verdadeira justiça queime, não só a vossa excelência, mas também a todos os que são igualmente racistas e sentenciadores da injustiça e da maldade. Muito mais do que sermos iguais perante a lei, queremos que ela seja igual para todos. Desta forma, vossa excelência, em razão de seu preconceito, teria determinado a sentença de sua própria condenação. Que se cumpra!

Sem mais!

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