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Artur Figueiredo

Jornalista e professor, com especialização em comunicação. Colaborador do portal Yahoo, comentarista, colunista: rádios Poliesportiva, Metropolitana AM 1070, redator do portal Torcedores.com, Assessoria de Comunicação da equipe União Mogi e colunista do jornal Gazeta Regional.

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Caso João Alberto: racismo estrutural, o “Apartheid” brasileiro!

Joãos, Marias, quantos mais negros terão que morrer, sejam pelo racismo estrutural da omissão do Estado nas políticas públicas ou até mesmo a violência policial nas periferias?

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Um fato tem pautado as famílias brasileiras: a ascensão do ódio através da legitimação do governo Bolsonaro. O caso João, homem negro que foi espancado até a morte na rede Carrefour. A violência ascendeu as questões sociais, o racismo estrutural e a relativização de crimes. 

Diante a repercussão negativa, o Carrefour emitiu uma nota, com intenção de esclarecer o caso. Entretanto, a mensagem sequer reparou os erros do passado e chancelou o verdadeiro “senso criminal”, ou seja, relativizou mais uma tragédia. 

O crime aconteceu em Porto Alegre, capital gaúcha. Foi alegado que houve uma discussão no setor dos caixas entre João (vítima) e a atendente. Ao final, o mesmo foi colocado para fora do estabelecimento, por seguranças particulares. 

Foi citado também uma suposta agressão entre um dos seguranças e João Alberto. Posteriormente, o que se viu foi um espancamento sumário. Alberto faleceu, em decorrência de um estrangulamento, após diversos socos, deferidos por 2 seguranças. 

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Vídeos gravados documentaram o crime. A instituição comercial assistiu de forma conivente e complacente, entre aspas, legitimando as atuações de seus colaboradores. Em nota, o Carrefour não reparou o erro e jogou a culpa nas empresas terceirizadas, contratadas para fazer a segurança da loja. 

O mais aterrorizante é que mesmo depois da omissão dos demais agentes, haja pessoas, políticos, grupos, a própria sociedade, que simplesmente busque um algum senso moral para justificar tal feito. 

As explanações são diretas e caracterizam de forma bem objetiva, o conceito de racismo estrutural. “Ele tinha passagens pela polícia. Ele foi hostil com a atendente. Ele era um criminoso”. Narrativas como essa ascendem a divisão de raças, a guerra de classes, o “Apartheid” brasileiro. 

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Se o estado não resguarda os direitos básicos de negros, pobres periféricos, a segurança trata de fazer a divisão de classes, aos requintes de crueldade. 

Se a construção de direitos, de justiça social, existe para apenas uma parcela da sociedade, que se consolidou através dos privilégios e uma “meritocracia” mentirosa, que rechaçou o viés escravista que carrega a trajetória de séculos de escravidão. 

Livre? Liberdade se define por justiça social, não por autoritarismo ou até mesmo no discurso do olho por olho , dente por dente. As políticas públicas tão importantes para emergir um povo, tampouco são efetivadas na busca de um pedido de desculpas que nunca vem. 

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O hiato, o ostracismo, a violência, as injustiças, a consciência de classe, ambas estão sendo secundárias e tampouco discutidas pelos órgãos responsáveis. O vice presidente Hamilton Mourão declarou que no Brasil não há racismo. 

São falas como essa que definem literalmente a relativização de crimes raciais, além do papel do estado em resguardar direitos básicos que estão na constituição federal. 

Quando começou a política de cotas raciais, automaticamente, parte da sociedade definiu como privilégios, tapando os olhos para o passado de exclusão e marginalização de milhares de negros que tiveram vidas ceifadas, por senhores de engenho. 

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A escravização de negros ainda passa por um debate muito superficial. Se em governos conservadores, as pautas progressivas são deixadas de lado para deixar o mercado fazer a implementação do racismo estrutural. 

Quem tem recursos, ou seja, literalmente, dinheiro, que goze de seus direitos e privilégios. Quem não tem, simplesmente, se sucumbe. A romanização via capital deixou míope parte da sociedade que acredita numa pseudodemocracia que sempre fez uma elite, como o elo de poder e protagonismo. 

Em pleno século 21, o debate de justiça social é colocado em segundo plano. Se o ódio enviesado é impactado pela relativização de crimes através do conservadorismo de outrora, a falta empatia tem definido o um erro de ordem social no Brasil. 

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Estancar a violência social, diminuir as desigualdades, fazer justiça com os povos oprimidos, negros, povos indígenas, historicamente, ignorados por um estado que nunca existiu. 

Mínimo para eles e máximo para os colonialistas, que impuseram um sistema de segregação e uma subdivisão racial ainda muito mais latente. 

Joãos, Marias, quantos mais negros terão que morrer, sejam pelo racismo estrutural da omissão do Estado nas políticas públicas ou até mesmo a violência policial nas periferias? Emergir é um dever, uma obrigação, do estado, dos governantes. 

Se as balas perdidas têm o endereço certo para as favelas de jovens descamisados, excluídos. O condomínio trata de tapar os olhos dos frios, indiferentes, da pseudo burguesia, que limitou a percepção de realidade social, econômica de uma nação inteira.

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