China, ah!

Os chineses conhecem esse paradoxo e desde 1949 optaram pela sua liberdade. A democracia chinesa é a mais bela das criaturas políticas no ambiente contemporâneo da liberdade falseada que condena muitos povos aos grilhões

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Nem todo dia é de notícia ruim. A boa veio da China. De acordo com as informações publicadas em sites noticiosos brasileiros, “O órgão regulador chinês de meios de comunicação proibiu nesta quinta-feira (11) o Serviço Mundial da BBC, acusando-o de violar diretrizes oficiais em uma reportagem sobre a minoria uigur”.A Administração Nacional de Rádio e Televisão chinesa diagnosticou que a emissora britânica desconsiderou “a exigência de que o jornalismo seja verdadeiro e justo e não prejudique os interesses nacionais da China”. 

A decisão foi tomada depois da exibição do documentário que acusou a China de esconder a origem do corona vírus, e de outro sobre violência e tortura praticadas nos campos de reeducação destinados aos uigures, etnia muçulmana que habita a região autônoma de Xinjiang, no noroeste da China.

O órgão regulador de mídia, tanto internacional quanto nacional, considerou as notícias falsas, fundamentas em viés ideológico que resultou em “impacto vil”. “Como o canal não cumpre os requisitos para transmissão na China como um canal estrangeiro, a BBC World News não tem permissão para continuar seu serviço dentro do território chinês. A NRTA não aceitará o pedido de transmissão do canal para o próximo ano”, comunicou. 

A liberdade da BBC em território de povo ciente e orgulhoso da sua soberania e unidade, ocorre no momento em que o governo chinês acabou com as manifestações de honconguêses a serviço da city londrina do Império Britânico e sua tática de insuflar contra o regime do país em favor da democracia liberal. Em 30 de junho de 2020, Pequim emitiu a Lei da República Popular da China sobre a Salvaguarda da Segurança Nacional na Região Administrativa Especial de Hong Kong, parte da legislação de segurança nacional referente a Hong Kong. 

É bem verdade que número expressivo dos cantoneses de Hong Kong se sentem mais ingleses do que chineses. Foram 100 anos de colonização na língua e nos costumes da ilha da rainha onde público e privado são a mesma coisa e o indivíduo está acima de todos, menos do serviço secreto britânico que tem permissão para matar oficializada na rubrica 007, glamurizada no cinema pelo agente Bond, James Bond, irresistível na interpretação de Sean Connery. 

A China tem experiência suficiente sobre invasão e vilipêndio. Sobretudo da parte inglesa. Está na memória a fala da rainha Vitória diante dos apelos diplomáticos de que contivesse a entrada ilegal de ópio no país. A soberana respondeu que um pouco de ópio não fazia mal a ninguém e, além disso, os ingleses gostavam de láudano, a tintura sedativa, versão chique e sem vestígios da forma sólida do seu principal componente.

Durante o século XIX o ópio funcionou como o soft power do imperialismo na China. A propósito, o dinheiro que erigiu o banco HSBC veio do contrabando dessa matéria prima. HSBC é a sigla de Hong Kong and Shangai Banking Corporation, fundado por um funcionário escocês que administrava o embarque da carga. Depois de duas guerras e a contabilidade de que explorar mão de obra dopada não era bom negócio, os métodos de dominação se sofisticaram e o poder suave migrou forte para o entretenimento, a cultura, e a informação massiva. Cinema, teatro, literatura, televisão, rádio, internet, jornais, revistas, toda e qualquer superfície que abrigasse a impressão de ideias destinadas a persuadir, passaram a ser importantes meios usados no campo das relações internacionais.  

Em perfil no twitter, o secretário de Relações Exteriores britânico, Dominic Raab, disse que a medida é “uma restrição inaceitável da liberdade de mídia”. A China argumentou que a transmissão da BBC “vai contra os requisitos de que as reportagens devem ser verdadeiras e imparciais, e minou os interesses nacionais da China e a solidariedade étnica”.

No dia 8 deste mesmo fevereiro, morreu em Paris o roteirista Jean-Claude Carriére. Dentre as obras que assinou com Buñuel está ‘O fantasma da liberdade’, de 1974. O filme começa como fuzilamento de militantes espanhóis pelas tropas napoleônicas, fato histórico ocorrido na cidade de Toledo, em 1808. Antes de ser abatido, um resistente grita “Vivan las cadenas” _ “Viva as correntes”. Era essa a palavra-de-ordem dos que combatiam o exército do general francês que se dizia o portador da Liberdade. 

Os chineses conhecem esse paradoxo e desde 1949 optaram pela sua liberdade. A democracia chinesa é a mais bela das criaturas políticas no ambiente contemporâneo da liberdade falseada que condena muitos povos aos grilhões. 

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

WhatsApp Facebook Twitter Email