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Carlos Alberto Mattos

Crítico, curador e pesquisador de cinema. Publica também no blog carmattos

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Cinema: O Clube da Esquina por eles mesmos

O documentário “Nada Será como Antes”, de Ana Rieper, procura dar conta da avalanche de boa música que desceu das montanhas de Minas a partir dos anos 1960

(Foto: Reprodução)
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Depois que aqueles meninos se reuniram numa esquina de Belo Horizonte, nada seria como antes na MPB. O documentário de Ana Rieper, com consultoria musical de Charles Gavin, procura dar conta da avalanche de boa música que desceu das montanhas de Minas a partir dos anos 1960. Para isso, dispensou a ajuda de críticos e especialistas. A história do Clube da Esquina seria contada pelos próprios integrantes em encontros informais, ao sabor das memórias e dos acordes.

Milton Nascimento, Lô e Márcio Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Nivaldo Ornellas, Novelli, Ronaldo Bastos, Flavio Venturini, Robertinho Silva e outros relembram os primeiros laços de amizade, a formação das muitas parcerias, o modus operandi sempre muito descontraído do grupo, as influências do cinema, do rock, do jazz, dos Beatles, dos clássicos, das músicas regionalistas e religiosas que forjaram uma sonoridade tão eclética.

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As coisas não vêm ordenadamente, mas num fluxo precariamente organizado. Do Clube da Esquina propriamente dito, conhecemos o lugar e a gênese do nome e do disco, mas fica-se longe de esgotar as histórias e a importância daquele álbum duplo. Não vemos nem mesmo a famosa capa do disco, com os meninos sentados no barro, talvez por ser objeto recente de processo movido pelos modelos, à época fotografados e expostos sem autorização.

A impressão de uma jam-session de música e conversa tem lá suas virtudes. É leal ao clima mineiríssimo dos caras, todos na flor da terceira idade. Como é bom vê-los juntos tocando e cantando de novo. A ausência de estrelismo só faz aumentar o encantamento pelas melodias riquíssimas e a modernidade poética das letras. No entanto, vez por outra ficamos à deriva diante de referências não muito claras e, no meu caso, senti falta de uma voz que preenchesse lacunas e transcendesse a simples evocação.

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Quanto ao uso de materiais de arquivo e cenas de filmes, nem sempre o resultado me pareceu satisfatório. O uso de imagens de conflitos políticos de rua na América Latina durante a execução de Para Lennon e McCartney, por exemplo, sugere uma certa extrapolação de sentido. Já uma ilustração de Clube da Esquina II traz longas cenas que mais parecem um velho comercial da Rural Willys.

Nada Será como Antes faz, sem dúvida, uma deliciosa rememoração de um capítulo inexcedível da nossa música popular. Mas deixa espaço para outro filme que complemente esse quadro com um olhar exterior.

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