De absurdo em absurdo, a cultura naufraga

"Mario Frias se equipara a outra aberração, Sergio Camargo, encarregado de desmontar uma solida tradição, a da Fundação Palmares", escreve o jornalista

Mario Frias
Mario Frias (Foto: Roberto Castro/Mtur)


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Por Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia

Não é justo dizer que o atual secretário especial de Cultura, Mario Frias, tem em seu passado uma trajetória de canastrão de terceira na televisão. O correto é lembrar que, coincidindo com a dimensão de seu caráter, de sua integridade e da sua decência, ele não passou de ter sido um canastrinho de quarta categoria.

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Na área das artes e da cultura Frias se equipara a outra aberração, Sergio Camargo, encarregado de desmontar uma solida tradição, a da Fundação Palmares, originalmente destinada a preservar, investigar e divulgar a cultura negra neste país de racistas. 

E, por falar em ser justo, é necessário observar que os dois se debatem de maneira especialmente intensa para ver quem é mais abjeto, e quem é mais bajulador do desequilibrado psicopata que preside este pobre país.

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Ao lado de um capitão da reserva da Polícia Militar da Bahia, André Porciúncula, Frias se esmera em destroçar em primeiro lugar os mecanismos de incentivo, com ênfase na Lei Rouanet, e ao mesmo tempo tudo que se refira às artes e à cultura. 

As credenciais de Porciúncula para ocupar o posto que ocupa no falecido ministério e atual secretaria de Cultura, o de secretário de Fomento e Incentivo, são seu reacionarismo olímpico, ser o que classifica como “cristão ao extremo”, e sua fúria contra qualquer liberdade de expressão que não seja a de quem se alinha com ele e, claro, com Jair Messias.

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E é exemplar como ele, ao lado de Frias, seu chefe imediato, se dedica em tempo integral a fomentar e a incentivar a destruição.

Há uma diferença crucial, porém, entre os dois. Enquanto Porciúncula atua com ênfase mas sem estardalhaço, Frias é capaz de qualquer coisa para demonstrar até que ponto é desqualificado para o que for.

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Sua mais recente iniciativa, porém, poderá significar problemas para ele. Acompanhado de seu secretário-ajunto, um tal de Hélio Oliveira de quem no meio das artes e da cultura ninguém jamais tinha ouvido falar, Frias viajou para Nova York, onde ficou cinco dias e torrou, entre passagens, diárias e testes de Covid-19, pouco mais de 40 mil reais.

A missão: discutir projetos culturais, ou mais especificamente, de áudio visual com Renzo Gracie, um judoca bolsonarista aposentado, e um produtor que, na verdade, é dono de uma agência de viagens.

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Nos cinco dias passados em Nova York, Frias e seu assecla tiveram duas reuniões com o judoca e o vendedor de passagens aéreas. O resto do tempo foi para ficar à toa, o que, pensando bem, tenha sido bem melhor para o Brasil. 

Em tempos normais, ou seja, antes da boçalidade atual, interessados em projetos viajavam a Brasília para dialogar com o então Ministério. 

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Mas em tempos normais Mario Frias seria apenas o que sempre foi: um canastrinho de quarta categoria.

Quando os tempos normais voltarem, onde essa figurinha patética vai parar? De volta para qual pântano coalhado de excremento de onde jamais deveria ter sido tirado?

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