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Denise Assis

Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" , "Imaculada" e "Claudio Guerra: Matar e Queimar".

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É preciso falar dessas mulheres

'Três momentos colocam na história da nossa democracia três mulheres que definiram os rumos do país com posturas assertivas', escreve Denise Assis

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(Foto: ABR)
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No dia 12 de setembro de 2023, nos estertores dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), a policial militar do Distrito Federal, Marcela da Silva Morais Pinno, revelou em um dos últimos depoimentos colhidos ali, como escapou de morrer no dia 8 de janeiro daquele ano. Marcela foi apeada da sua montaria e recebeu golpes de barra de ferro, enquanto, já no chão, os brutamontes tentavam tirar-lhe a arma, seu objeto de trabalho. Escapou por pouco da morte, tentando impedir a invasão dos prédios públicos, por fim depredados.

No dia 8 de janeiro de 2023, no início da tarde, quando a notícia do golpe de 8 de janeiro chegou à cidade de Araraquara (SP), onde se encontravam o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a primeira-dama, Rosângela da Silva, houve acalorada discussão em busca de uma saída imediata que freasse a investida golpista. A primeira sugestão surgida na sala do prefeito Edinho Silva foi a adoção de uma medida de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). A medida transfere aos militares o poder de “colocar ordem na casa”, ou seja, assumir o controle do país com plenos poderes. Acomodada em uma das poltronas, depois de percorrer o município recém atingido por uma tempestade que causou mortes e desalojou parte da população, Janja reagiu: GLO não. Isto é passar os poderes para os militares.

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No dia 8 de janeiro de 2023, à noite, sob o impacto da visão de um Supremo Tribunal Federal (STF), no chão, alagado e depredado, a ministra e então presidente da casa, Rosa Weber, foi interpelada pelo colega Luiz Roberto Barroso, que viria a substitui-la na presidência do STF. Bastante emocionada, como Barroso veio a descrever, ela decretou que daquele momento em diante seu trabalho seria reconstruir o salão em escombros, para a retomada dos trabalhos da casa, em 2 de fevereiro. Mas não era só isto o que Barroso queria ouvir. Era preciso designar quem tocaria o processo contra os golpistas, que naquele momento se agigantava, com o número de presos passando da casa de milhares. Rosa respondeu firme: o ministro Alexandre de Moraes. Ele que já estava incumbido do processo das fake News, assumiu os trabalhos, agilizando as primeiras providências.

Os três momentos colocam na história da nossa democracia três mulheres que, firmes em suas convicções, definiram os rumos do país com posturas oportunas, rápidas e assertivas. As três histórias são conhecidas, mas era preciso pinçá-las para colocar nos devidos lugares o papel dessas três mulheres que num momento decisivo foram o que são: mulheres. É da natureza feminina a decisão, a firmeza e a resposta prática na agudeza dos fatos. 

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Talvez, para que isto ficasse ainda mais sublinhado, alguém devesse ter se lembrado de condecorar a policial Marcela Pinno durante a cerimônia do 8 de janeiro. Mas fica aqui o destaque, uma forma de torná-la heroína, que é o que ela foi, naquele momento.   

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