Eles sabiam o que estavam fazendo ...

"Todos em volta de Bolsonaro sabiam o que estavam fazendo. Não tem ninguém inocente no bloco dos trapalhões", escreve o colunista Mauro Passos

Matheus Mayer Milanez e Augusto Heleno
Matheus Mayer Milanez e Augusto Heleno (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)


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A foto acima do general Heleno, tendo ao lado quem imagino ser seu advogado, fala por si. Todos em volta de Bolsonaro sabiam o que estavam fazendo. Não tem ninguém inocente no bloco dos trapalhões. O golpe que deu errado, nos tirou do destino que tinham traçado, transformar o Brasil na pior das "republiquetas". Em 2018 mantiveram Lula preso para eleger o "sem noção". Depois foi o que se viu, um despreparado  presidindo um país complexo como o nosso. 

Quando veio a covid, com dois anos de negação das vacinas,  o que se viu foi uma tragédia humana: mais 700 mil brasileiros mortos. Para entender o desatino, num curto espaço de tempo cinco ministros da Saúde foram nomeados, para explicar o inexplicável. Até hoje não se sabe porque tanta falta de amor próprio por um cargo. Ao aceitar o convite sabiam o que estavam fazendo. Aliás, depois da fatídica reunião ministerial de 22 de abril de 2022, quando Salles ganhou seu minuto de fama propondo abrir a porteira para passar a boiada, nenhum membro do governo pode alegar que não sabia o que estavam fazendo.

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Quando vazou o escândalo das joias e dos presentes desviados, o ex-ministro das Minas e Energia, o almirante Bento Albuquerque, se escafedeu. Ninguém mais fala nele, um desqualificado que tentou enquadrar um funcionário da Receita, com intuito de burlar a Lei. Esse péssimo exemplo de um almirante e então ministro da República, acabou com qualquer possibilidade de um governo tão medíocre renascer. Todos sabiam muito bem o que almirante Bento estava fazendo. 

Os sinais de que a casa estava caindo crescia a todo o momento. A cada semana um escândalo. O Gabinete do Ódio, instalado no próprio Palácio, era o escritório onde despachava um vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro. O que fazia um vereador do Rio em Brasília, boa coisa não era. No mínimo uma evidente disfunção. Só que agora "Carluxo" como é chamado nos bastidores, está na mira da Polícia Federal. Todos do núcleo de poder sabiam o que ele estava fazendo lá.

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Aos poucos as verdades estão aparecendo e os envolvidos no golpe estão sentindo na pele as consequências. Nunca vamos esquecer a gravidade do que houve. Imaginem um avião da FAB, que já serviu para carregar joias e drogas, decolar, sem um motivo aparente, levando um presidente "fujão", ministros e assessores para passar as festas de Fim de Ano na Flórida.  Coisa mais estranha. Se o golpe do dia 8 de janeiro de 2023 desse certo, eles voltariam num avião da FAB, cercado pela Esquadrilha da Fumaça, dando rasante nos céus de Brasília. 

Só que os "trapalhões", se atrapalharam. O caminhão bomba estacionado em frente ao Aeroporto de Brasília, chamou a atenção de um curioso e o grande ato simbólico do terrorismo da extrema direita tupiniquim, deu ruim. Os homens bomba estão presos e os mandantes torcendo para que não façam delação premiada. Aliás, depois do Mauro Cid e agora do Ronnie Lessa, não falem em delação premiada perto de alguém do núcleo duro do ex-presidente. 

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"Eles sabiam o que estavam fazendo", pode virar o que a gente quiser: um livro, um documentário, uma mini série ou mesmo um filme. Moro que faz parte dessa trama da nossa recente história,  policialesca e ao mesmo tempo política, já teve o seu minuto de fama. O ex-ministro, abandonado pelos seus pares, está prestes a ser cassado - pelo que fez. Que o mundo dá volta, todos nós sabemos. Só que aqui a reviravolta se deu por um sentimento da sociedade que acordou a tempo. Foram apena dois milhões de votos de diferença, alegavam na época os que perderam. Agora, sabendo o que fizeram, fica o nosso mais profundo agradecimento para esses dois milhões de brasileiros - a mais - que nos tiraram do pior destino que uma nação pode ter,  a maldade como política de Estado. 

O pressentimento que algo estava por vir, logo virou uma certeza. A normalidade do país era o sinal que esperavam. Com milhares de provas documentadas, a delação premiada de quem fazia tudo para o "chefe", o coronel Cid, o trabalho exemplar da Polícia Federal, a determinação do ministro Alexandre de Moraes, o visível enfraquecimento do ex-presidente junto as Forças Armadas e a sociedade, estavam sendo monitorados. O presidente Lula pouco se manifestava sobre os malfeitos dos golpista. Sempre alegava que se tratava de um problema da Justiça e da polícia. Estava certo, quando deflagaram a operação de hoje "hora da verdade", os foliões já estavam na rua abrindo as portas para o Carnaval passar. Nada é por acaso. Quem entende de política, não usa farda.  

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