Freud e a rejeição

Diálogo entre Freud e o presidente sobre a rejeição

(Foto: Miguel Paiva)


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Por Miguel Paiva, para o 247

PRESIDENTE

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O que me mata é a rejeição, doutor.

FREUD

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Isso é duvidoso. O que precisamos saber é se o senhor está se sentindo rejeitável ou está de fato sendo rejeitado.

PRESIDENTE

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Não entendi. O que eu sei é que ninguém me ama, ninguém me quer, e olha que eu era o queridinho do Brasil

FREUD

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Queridinho um dia e detestável no outro. É preciso ter talento para lidar com essas oscilações.

PRESIDENTE

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Eu falo que as mulheres são princesas e minha rejeição entre elas aumenta. E não renovo a farmácia popular e os mais pobres me detestam. Não sei mais o que fazer.

FREUD

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Verdade, vocês sabem muito pouca coisa. O que não for para fazer dinheiro para a elite então, vocês realmente não sabem.

PRESIDENTE

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A elite, bem lembrado. A elite me apoiou, me deu grana e força e agora me abandona. Me explica, doutor.

FREUD

Acho que é melhor pedir para o meu amigo Marx explicar. Isso é a cara dele.

PRESIDENTE

E a elite me rejeitar nem o seu divã resolve.

FREUD

A elite apoia quem promete mais ganhos pra ela. Não está apoiando o Lula, mas como o senhor não tem mais nada a oferecer, lhe abandonou.

PRESIDENTE

No fundo no fundo acho que eu não nasci pra isso.

FREUD

Para ser presidente?

PRESIDENTE

Não, para ser democrata. Queria mandar nesse país sem o Supremo, sem os jornalistas, sem os cartunistas, sem os críticos de plantão.

FREUD

Sei como é, mas faz parte. Governar é como ser dono de uma empresa.

PRESIDENTE

Êpa, quem disse isso foi o meu ministro Guedes.

FREUD

A frase é idiota, mas é bem construída, e o Guedes está errado. Um estado é um estado. Uma empresa é uma empresa.

PRESIDENTE

Só falta o senhor dizer que um charuto é um charuto.

FREUD

E, não é? Aliás, quer um?

PRESIDENTE

Não tenho nada a festejar. Não quero reconhecer, e não espalha, mas acho que vou perder essa eleição.

FREUD

Isso sim é um fato, não uma fantasia. O povo não quer mais saber do senhor.

PRESIDENTE

E eu faço o quê?

FREUD

Não sei, mas até lá temos uma nova sessão marcada para o dia 2 para o senhor resolver esse golpe.

PRESIDENTE

Acho que não vai dar. O senhor vai votar em mim?

FREUD

O voto é secreto.

E faz o L com a mão.

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